A ARTE DE SER FELIZ – ARTHUR SCHOPENHAUER:

By Acervo Filosófico

Por: Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer elaborou sua eudemonologia a partir de vários manuscritos com os quais teve contato ao longo de sua vida. O livro “A Arte de Ser Feliz”, no qual se encontra sua filosofia da felicidade, consiste num manual, composto por cinquenta máximas nas quais o filósofo de Frankfurt apresenta reflexões que visam levar qualquer indivíduo a viver da maneira mais confortável e feliz possível – lembrando que, para nosso filósofo, a felicidade completa e positiva é impossível. Conforme consta no prefácio do livro: “As cinquenta máximas que o compõe foram anotadas em períodos diversos e se encontram dispersas nos vários cadernos, volumes e maços em que estão reunidos os papéis inéditos do filósofo”. (2001, p.7).

Schopenhauer, de fato, como muito costuma-se ressaltar, foi um pensador cuja filosofia possui como uma de suas principais características, um pessimismo profundo. Porém, diferentemente de como alguns o veem, o filósofo não ficou simplesmente de braços cruzados diante da dor existencial que assola a humanidade, pois ele buscou meios que permitissem ao ser humano encontrar algum conforto diante da tragédia.

A seguir, apresento ao leitor uma breve seleção baseadas em sete máximas extraídas do livro “A Arte de Ser Feliz”. Elas são explicadas de maneira resumida, conforme os escritos de Schopenhauer e não apenas devem ser lidas, mas também praticadas no cotidiano. É válido dizer que recomendamos ao leitor a consulta e até mesmo leitura completa da própria obra, que sem dúvida consiste num dos mais poéticos e úteis legados da história do pensamento ocidental.

1. Ser x Ter e Representar:

Em mais de um trecho do livro, ressalta-se que o principal segredo da felicidade encontra-se no fato de que o que se é, é muito mais relevante do que aquilo que se tem ou representa. Isso ocorre justamente porque, conforme citado, “a personalidade é a felicidade suprema”. A grande questão aqui é realmente o nosso estado de consciência, um estado essencialmente interior. Felicidade é um estado que parte do seu eu, de como você se relaciona com si mesmo. Aquilo que se “tem” e que se “representa” são coisas exteriores,  sempre sujeitas a se dissolverem e se nosso estado de felicidade dependesse apenas disso, poderíamos nos aborrecer com facilidade, já que esses “bens” externos podem a qualquer momento. Por isso, o filósofo ressalta que, no final das contas, o que realmente faz com que nos sintamos bem, é aquilo que preenche nossa consciência.

2. Individualidade:

Logo no início do livro, Schopenhauer apresenta a importância e as vantagens de se conhecer a si mesmo. Um dos destaques dessa parte, é que devemos ter conhecimento de nossos limites e de nossos defeitos, fraquezas e também das qualidades e forças, tal como devemos encontrar aquilo que podemos mudar e também o que é imutável, além de ser importante identificarmos o que queremos e o que podemos, pois não adianta traçarmos em nossas vidas metas que são inatingíveis. Devemos, assim, trilhar nossas metas em conformidade com esses aspectos citados, sem que, por exemplo, exijamos de nós próprios, mais do que somos capazes de oferecer e sem que tentemos agir com base nas situações e relações específicas de outras pessoas. Dessa forma:

“… evitaremos do modo mais seguro e até onde nossa individualidade permitir a mais amarga de todas as dores, o descontentamento em relação a nós mesmos, que é a consequência inevitável da falta de conhecimento da própria individualidade”. (2001, p.25).

3. Presente:

Concentrar-se no tempo presente, pois futuro e passado são indeterminados e incertos. Prender-se nesses dois últimos gêneros pode e tende a ser nocivo e perturbador, nos deixando constantemente temerosos e apreensivos. O futuro nos gera expectativas demasiadas e o passado, costuma nos assombrar pelo lamento e pela saudade, por isso, é importante nos atermos ao presente que, no final das contas, é nossa verdadeira realidade:  

A tranquilidade do presente pode ser perturbada no máximo por males certos em si e cujo momento também é certo”.

4. Serenidade Interior:

Quando, por algum motivo (seja familiar ou não), encontramos momentos de paz e seriedade, não devemos nos indagar se merecemos tal momento ou quais são as razões pelas quais o estamos vivenciando. Basta apenas apreciar essa ocasião de conforto, que por vezes é tão rara…

5. Fazer O Que Se Pode Fazer:

“Fazer de bom grado o que se pode e suportar de bom grado o que se deve”. Há coisas que dependem de nós, que estão ao nosso alcance e nas quais podemos interferir de alguma maneira. Por outro lado, também é comum que nos deparemos com situações que, inevitavelmente devemos enfrentar, mas que não são agradáveis. Porém, é sempre mais vantajoso e sábio encarar ambas de bom grado, tendo a consciência tranquila e percebendo que nem tudo depende unicamente de nós.

6. O Alcance da Felicidade:

Nem sempre a felicidade é possível. Por vezes, é necessário apenas suportar determinadas situações. É ilusório acreditar que em certas circunstâncias haverá felicidade e isso pode ser prejudicial e causar diversas decepções. Dessa forma, o tolo buscará os prazeres e o sábio evitará os males, pois assim, o último certamente não verá terá suas esperanças frustradas. O mais adequado é buscar apenas a tranquilidade e a ausência da dor, que são coisas tangíveis.

7. Moderar a Imaginação:

A imaginação pode ser perturbadora ao criar imagens e fatos que não correspondem à realidade. Ela pode gerar muita angústia e ser altamente prejudicial e, por isso, Schopenhauer propõe que refreemos os pensamentos. A imaginação pode causar temores e aflições ou criar ilusões de felicidade e expectativas que não serão alcançadas, gerando desapontamentos. O que diz respeito ao nosso bem-estar e mal-estar, deve ser analisado sob o âmbito de nosso juízo, pois este sim possui condições de julgar e organizar mais fria e adequadamente os fatos:

Portanto: refreie-se a imaginação”. (2001, p.55).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

SCHOPENHAUER, Arthur. A Arte de Ser Feliz. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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