A QUESTÃO DA IMAGINAÇÃO NA FILOSOFIA DE PASCAL:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

“A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo.” – Blaise Pascal.

“Pensamentos” é a obra clássica do brilhante pensador parisiense Blaise Pascal. Nela, o filósofo reflete sobre vários assuntos diferentes, como, por exemplo, a miséria, o tédio, a vaidade e outros, e em meio a tantos temas abordados, encontra-se a questão da imaginação, que se tornou um dos pontos de maior destaque do referido livro.

A imaginação pode ser um recurso maravilhoso e vantajoso para qualquer pessoa. Mas, por outro lado, ela também é fonte de muitas perturbações, já que é capaz de gerar as mais diversas ilusões e entorpecer qualquer consciência com fatos irreais sendo que na maior parte das vezes, é causa de julgamentos incorretos e dos mais variados equívocos. De acordo com Pascal, ela domina o homem e é “mestra dos erros e da falsidade” (2015, p.48), sendo inimiga da razão e se sobrepondo a ela na maior parte das vezes. Até mesmo os indivíduos mais sábios, portadores de grande conhecimento, em muitas situações se deixam assombrar pelo que suas imaginações criam: “O maior filósofo do mundo em cima de uma tábua mais larga do que o necessário, se houver abaixo dele um precipício, por mais que a razão o convença de que está em segurança, a sua imaginação prevalecerá”. (2015, PASCAL, p. 48). Esse poderoso instrumento de nossa natureza, constante causador de tantas fantasias, é um dos fatores pelos quais o homem possui um comportamento instável e muitas vezes imprevisível, já que ela dá vida a imagens que podem ser determinantes para várias ações. A imaginação compromete nosso juízo e através de suas incessantes produções mentais, causa falsas impressões que nos desviam dos fatos. Além disso, a imaginação ainda costuma nos levar para o passado e para o futuro e, assim, mediante lembranças e antecipações, tendemos a abandonar o presente. Quantos equívocos não cometemos por intermédio da imaginação? Podemos reconhecer alguns erros, mas certamente há aqueles que que se passaram e nem ao menos notamos. Quantos julgamentos incorretos já fizemos sobre uma pessoa qualquer ou sobre uma determinada situação? E quantas emoções e sentimentos já não tomaram conta de nossa alma, como consequência das obras de nossa vigorosa imaginação?

As observações feitas pelo pensador francês acerca desse tema são muito interessantes. Elas nos fazem reconhecer que por mais que estejamos cientes do poder desse recurso mental, sabendo que ele pode nos desviar da realidade, ainda assim, em incontáveis ocasiões, somos guiados por sua força. É também curioso que, embora tenhamos consciência de que o raciocínio movido pela razão tende a ser mais eficaz, costumamos ser controlados pela poderosa força da imaginação, deixando que seus devaneios até mesmo se sobreponham diante da lógica.

Referência Bibliográfica:

PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Folha de São Paulo, 2015.

 Category: TEXTOS VARIADOS

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