A RELIGIÃO NA CONCEPÇÃO DE SCHOPENHAUER:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer parece ter sido o pioneiro na introdução de elementos do pensamento oriental na filosofia do ocidente. O Hinduísmo e o Budismo foram fontes de inspiração e de influência para o pensador que, com notável frequência, menciona alguns de seus aspectos em suas obras. Porém, apesar de valorizar tal sistema religioso, Schopenhauer também mostrou reprovação e certa hostilidade em relação à Religião, e especialmente ao Cristianismo.
O filósofo acreditava que influências do que chamou de “fábulas grosseiras” e “contos para dormir em pé”, isto é, de temas, histórias e elementos religiosos,  induzem o homem a explicar sua existência e moldar suas moralidades através de fatos não verídicos. Dessa forma, aqueles que se voltam para a Religião, simplesmente criam um mundo imaginário pautado em meras superstições que resultam de “aflições e embaraços” (2014, p. 124) que surgem no mundo real, transformando qualquer acontecimento em  uma ficção provinda da manifestação de poder de seres fantasiosos como demônios, deuses e santos, que não passam de criação humana.
A Religião seria, assim, uma necessidade de “socorro, assistência, de ocupação e de passatempo” (2014, p. 124), cujos elementos e seus encantos ilusórios, por vezes, tornam a existência muito mais agradável, e conseguem preencher o tempo tirando seus seguidores/crentes do tédio.  O pensador alemão, além de, portanto, compreender os sistemas religiosos como caminhos de escape da vida real, entende também que tais sistemas são vãos e perigosos. Schopenhauer menciona o Alcorão (livro sagrado do Islã) como um exemplo de tal perigo contido na Religião. De acordo com o filósofo, o referido livro possui um efeito social, psicológico e existencial que é notavelmente negativo, pois seus seguidores, por influência das palavras contidas no Alcorão, costumam ser movidos por uma moral que os leva a praticarem guerras e um modo de vida que não possui nenhum aspecto sensato.
Schopenhauer ainda ataca direta e especificamente o Cristianismo cuja “lista de bárbaras crueldades e cruzadas injustificáveis e exterminação de inocentes é imensa (2014, p. 125). O filósofo justifica esse ataque citando alguns fatos históricos “pouco favoráveis que deixam incerteza sobre a superioridade do Cristianismo” (2014, p. 126), como, por exemplo: os tribunais heréticos, a execução de 18 mil holandeses feita pelo Duque de Alba, a noite de São Bartolomeu, etc. Para o filósofo: “A religião católica é uma instrução para mendigar o céu, que seria muito incômodo merecer. Os padres são intermediários dessa mediocridade”. (2014, p. 126).
Para concluir seu posicionamento repulsivo às religiões, ainda afirma que embora estas sejam uma necessidade social para o povo, podendo até mesmo beneficiá-lo, não se pode jamais esperar que grandes homens a aceitem de maneira convicta. Isso seria, diz Schopenhauer (2014, p. 126) “como exigir que um gigante calce o sapato de um anão”, uma vez que a religião é apenas um “amparo para a fraqueza mórbida do espírito da maior parte dos homens”. (2014, p. 126).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. As Dores do Mundo. São Paulo: Edipro, 2014.

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