APOLOGIA DE SÓCRATES – XENOFONTE:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

“Verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não cessou de praticar ações úteis ou corretas”. – SÓCRATES.

As obras de Xenofonte, ao lado das de Platão e Aristófanes, constituem uma das principais fontes sobre a vida e filosofia de Sócrates, pensador grego de extrema relevância para a Filosofia Ocidental, e que não deixou nenhum registro escrito por suas próprias mãos. Em “Apologia de Sócrates”, Xenofonte retrata os últimos momentos do filósofo, a maneira como o mesmo reagiu diante de seus acusadores, e sua determinação perante a condenação à morte.

Não sabeis há muito que no instante mesmo de meu nascimento pronunciara a natureza a sentença de minha morte?”. (XENOFONTE, 1972, p. 172). 

No início do livro, são apresentadas as três acusações feitas à Sócrates (XENOFONTE, 1972, p.171): 1. Não reconhecer os deuses do Estado; 2. Introduzir extravagâncias demoníacas; 3. Corromper os jovens. Diante dos juízes, o filósofo se posiciona afirmando que discorda de tais denúncias, especialmente daquela que o condena por desrespeitar os deuses locais. Ele diz, dirigindo-se ao público presente em seu julgamento – e especialmente à Meleto, um de seus três acusadores: “Todos vós, Meleto convosco, se o quis, tivestes ocasião de ver-me sacrificar nas festas solenes e altares públicos”. (XENOFONTE, 1972, p.170). Também recusa a suposta introdução de extravagâncias demoníacas, e defende-se dizendo que parte de seus atos são guiados pela voz de um Deus (no caso, esclareça-se, seu daemon). Afirma que jamais, enquanto seguiu os ditos dessa voz, fora acusado ou contestado por algum tipo de delito ou impostura, e considera que essa seja uma prova de que não mente contra a divindade. Feitos tais esclarecimentos, o filósofo grego prossegue seu combate às acusações, dizendo ser um homem justo e digno. Para demonstrar sua boa índole, argumenta dizendo que não é escravo dos desejos carnais, que é uma pessoa independente, já que não recebe nenhum tipo de pagamento por seus ensinamentos (eis uma indireta menção aos sofistas) e fornece alguns outros exemplos a respeito de seu caráter, que acredita demonstrarem sua honestidade e a injustiça que estava sofrendo.

Sócrates, após responder os acusadores, aceita sua condenação e entende que chegou a hora de sua morte. Contudo, após a sentença, ressalta que não cometeu nenhum tipo de ato corrupto, nenhum crime ou irregularidade pautados nas Leis locais. Logo na sequência desse desabafo, nota que algumas pessoas ao seu redor estavam chorando. Demonstra reprovação ao ato e aparenta tranquilidade, ao filosofar a respeito da morte: “Que é isso! Agora é que achais de chorar? Não sabeis há muito que no instante mesmo de meu nascimento pronunciara a natureza a sentença de minha morte?”. (XENOFONTE, 1972, p. 172). 

Assim, Sócrates foi condenado e morto, sendo que seu fim foi bastante tranquilo e sem dor. Xenofonte defende-o no final de seu registro, apresentando-o como um sujeito de caráter grandioso, dotado por imensa virtude e como sendo “o mais venturoso dos mortais” (XENOFONTE, 1972, p.173).

REFERÊNCIA:

XENOFONTE, Apologia de Sócrates. In: Os Pensadores – Sócrates. Editora: Abril Cultural, 1972.

 

 

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