ARISTÓTELES:

By Acervo Filosófico

Por: João Arruda

  Se a característica essencial do homem é a racionalidade, qual seria o meio para a felicidade, senão o aperfeiçoamento desta característica? Aristóteles nos diz que o homem que deseja viver bem, deve viver sempre segundo a razão. Entretanto, ele não é apenas razão, e possui em si algo de alheio a ela. Ora, o domínio dessas outras partes da alma aos ditames da razão só pode ser dado pela “virtude ética” e este tipo de virtude só se adquire com a repetição de uma série de atos sucessivos, ou seja, de hábitos. Atingida a perfeição da alma, encontramos o que Aristóteles chama de primeira virtude “dianética”, isto é, a sabedoria, que consiste no uso perfeito da razão nas coisas práticas.

Em sua obra “Ética a Nicômaco”, Aristóteles investiga a felicidade, que seria para ele o bem supremo.

  Em sua obra “Ética a Nicômaco”, Aristóteles investiga a felicidade, que seria para ele o bem supremo. O filósofo compreende que cada ação e cada meio tendem a um fim, tendem a um bem. O conjunto das ações humanas e o conjunto dos fins particulares para o qual elas tendem, subordinam-se a um “fim último”, a um “bem supremo”, ao qual todos os homens chamam de felicidade. E essa felicidade (Eudaimonia) seria para uns o gozo e o prazer; para outros, a honra; para outros tantos, a riqueza; mas para Aristóteles, consiste especificamente no ato do homem aperfeiçoar-se enquanto homem, isto é, aperfeiçoar-se naquela atividade que lhe faz o torna um ser humano e não um animal, ou seja, na razão. E, então, partindo de tal compreensão, percebe que, pelo motivo de nossa atividade por excelência ser o uso reto da razão, não somos de todo razão, pois há em nossa alma algo de estranho a essa essência, e que a ela se opõe e resiste, ainda que, no entanto, dela participe. Trata-se do seguinte: a parte vegetativa, que em nada participa da razão e também a faculdade do desejo, que participa da razão apenas em parte. Para que a perfeição do homem esteja completa, é preciso que essas tais faculdades estejam dominadas por inteiro pela essência humana (ressalte-se, a razão).

  Encontrado este ponto, Aristóteles muda o rumo da sua investigação e toma como seu objeto a virtude (areté). Esta, para o filósofo, seria a intervenção da razão em nossas atitudes, colocando nelas a justa medida e as afastando dos extremos, que são tanto os excessos quanto as faltas, sendo ambos o que Aristóteles chama de vício. Assim, a coragem, por exemplo, não seria  não ter medo de nada, mas sim sentir medo em conformidade com a realidade – a coragem fica, então, entre a temeridade e a covardia. Com isto chegar-se-ia a uma vitória da razão sobre os instintos. Porém, esse meio termo em todas as ações só pode ser alcançado pela sucessão de atos, ou, melhor dizendo, por meio de hábitos que, primeiramente, foram colocados pela razão, e que depois, após a repetição, se fez, por assim dizer, parte integrante do ser.

 Chegada, então, a perfeição da alma, dão-se as virtudes “dianéticas” que se abrem em dois aspectos da alma racional, a saber: uma, conforme se volte para as realidades mutáveis da vida; outra, conforme se volte para os princípios e às verdades supremas. À virtude dianética referente ao primeiro aspecto citado, Aristóteles dá o nome de Sabedoria (Phrónesis), e ao segundo, de Sapiência (Sophia). Restringir-me-ei somente à sabedoria: esta é a virtude da reta razão que estabelece a média entre os extremos para as virtudes éticas e é a primeira das virtudes dianéticas. A Phrónesis é uma virtude estreitamente relacionada com a conduta moral e onde se concretiza a Phrónesis, a ação deverá ser de tal modo pensada, que os seus critérios possam levar o agente à bondade.

 Percebe-se, pois, uma relação entre esses conceitos aristotélicos apresentados acima. Sem os hábitos, não se domina as faculdades da alma que são alheias à razão, e sem esse domínio, não se atinge a perfeição da alma humana, nem, tampouco, as virtudes dianéticas, em especial, a sabedoria na vida prática.

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