AS QUATRO CAUSAS ARISTOTÉLICAS:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi e Paulo Pedroso

As “quatro causas” encontram-se presentes em um conjunto de escritos de Aristóteles, intitulados pelo filósofo grego de “Filosofia Primeira”, que posteriormente, após ter sido organizado por Andrônico de Rodes, ficou conhecido como “Metafísica”.      Nesta obra, Aristóteles empenhou-se especialmente em investigar “o ser enquanto ser“, ou seja, o ente em sua mais íntima essência para assim tentar compreender porquê as coisas são tal como são (para maiores detalhes, acesse nossos outros textos sobre Metafísica – os links abaixo deste texto).

Apesar de ter sido discípulo de Platão, as buscas e respostas de nosso filósofo afastam-se das que foram oferecidos por seu mestre, pois a metafísica platônica é especialmente caracterizada pelo dualismo (para maiores detalhes, acesse textos cujos links encontram-se a seguir) entre mundo sensível e inteligível, enquanto a metafísica aristotélica é voltada para este mundo e encontra-se em sua natureza.

Antes de adentrarmos nas quatro causas, faremos uma pontuação pertinente: Aristóteles reparou que a natureza encontrava-se em movimento. Mas precisava compreender também quando e como teria começado esse movimento. Assim sendo, em sua metafísica, o filósofo propôs que a raiz para essa ocorrência seria um primeiro motor imóvel, sendo ele imaterial, eterno, possuidor de inteligência suprema e de suma bondade. A partir da ação do primeiro motor, entendeu que o mundo entrou num estado de constante movimentação na qual a matéria tomou formas, sendo que nesse contexto, seus atos podem ou não levá-la a sua potência: por exemplo, a matéria semente em sua forma atual, tem potência para se tornar uma árvore – árvore que terá uma forma bem diferente da semente. Contudo, nem todas as sementes realizam seu potencial de se tornarem árvores.

                Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.).

A causa material se trata do elemento que compõe algo, ou seja, sua essência. Sigamos com o exemplo da semente: toda semente tem em sua essência a potência de se tornar uma árvore, no entanto, nem todas as sementes se tornam árvores iguais, algumas se tornam macieiras, outras goiabeiras, amoreiras, etc. Mesmo sementes de maçãs, não geram macieiras iguais e, no entanto, ao observar e categorizar tais árvores podemos dizer que ambas são essencialmente macieiras.

A semente sendo causa material irá gerar a causa formal da árvore, que pode ser longa ou baixa, com a copa larga ou rala, muitos galhos finos ou poucos galhos grossos. Causas materiais iguais podem gerar causas formais diferentes.

A causa eficiente e a formal dependem mais do sujeito que do objeto: a causa eficiente de uma árvore para um teísta é Deus, para um ateísta pode ser o a evolução da matéria em forma adequada ao meio em que se encontra. A finalidade da árvore pode se transformar em algo utilitário ao homem, que pode amarrar um balanço ou uma rede nela, ou então, colher seus frutos para venda ou para outros objetivos.

Assim como se pode definir a “categoria macieira” e a “categoria árvore”, também podemos através das quatro causas categorizar, humanos, cadeiras e cavalos, mas note-se que conhecer a essência não significa um saber absoluto: conhece-se uma árvore, um humano, uma cadeira, mas não todas as árvores, humanos e cadeiras. Sabe-se que um humano é humano por sua essência, mesmo se sem conhecer todos os humanos. Através das quatro causas aristotélicas é possível encontrar a “humanidade” que categoriza um humano, sendo essa a ideia a respeito dos universais de Aristóteles (link para texto específico sobre os universais ao final deste texto).

Dentre outras importantes abordagens tratadas em Filosofia Primeira, conforme citamos no inicio do texto, Aristóteles determinou quatro causas fundamentais e básicas (chamadas de etiologia) para a existência das coisas presentes no mundo material. Já as exploramos um pouco acima e na sequência iremos apresentá-las de maneira simplificada, com definições e exemplos. 

– Causa Material: elemento que compõe algo. 

– Causa Formal: a essência de algo, o que faz com que algo seja tal como é. 

– Causa Eficiente: é o que origina algo

– Causa Final: para que serve, a finalidade de algo. 

Exemplos:

– Causa Material: madeira (submetida a um processo de transformação para chegar à causa final).

– Causa Formal: cilíndrica

– Causa Eficiente: um fabricante de lápis.  

– Causa final do lápis: escrever, rabiscar, desenhar. 

 e:

– Causa Material: bronze. 

– Causa Formal: leão 

– Causa Eficiente: escultor

– Causa Final: estátua de leão

Pensemos em mais um exemplo: suponhamos uma estátua de leão. Em relação a sua causa material, haverá um consenso de que ela é de bronze (ao menos para qualquer um que saiba reconhecer o bronze), quanto à causa formal também haveria pouca discussão de que se trata de um leão, assim como, talvez sem grandes problemas, pode-se conhecer o autor da estátua. A questão reside na causa final: seria a estátua mera decoração, ou uma prova da capacidade do escultor? Talvez o pedido de uma família em referência ao seu brasão, ou ainda, quem sabe o escultor visava despertar emoções aos espectadores? Ou até mesmo teria um fim pedagógico com o objetivo de apresentar tal animal aos que nunca o viram ou nunca imaginaram suas proporções reais.

Tenha-se em mente que a teoria das quatro causas consiste em um dos mais relevantes pontos da metafísica de Aristóteles. Este texto é de cunho introdutório e visa ser esclarecedor para ajudá-lo a tirar dúvidas e também pretende, na medida do possível, aproximá-lo de Aristóteles e da Metafísica. Contudo, há de se ressaltar que para aprofundamento no assunto, indicamos o estudo direto dos escritos do filósofo. 

Links para apoio:

Sobre Metafísica: 

Metafísica – Introdução:

METAFÍSICA – Introdução:

Diferenças Entre Física e Metafísica: 

AS DIFERENÇAS ENTRE METAFÍSICA e FÍSICA:

Sobre os universais:

O PROBLEMA DOS UNIVERSAIS:

Sobre Platão:

*Especial sobre Platão (confira nossa série de textos):

http://www.acervofilosofico.com/category/especiais-2/serie-platao/

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