CINEMA & FILOSOFIA: O ENCONTRO ENTRE AS ÁREAS:

By Acervo Filosófico

por Juliana Vannucchi

“… O cinema acompanha a cultura e a sociedade para ser um reflexo do seu tempo”. – Tullio Dias.

O Acervo Filosófico bateu um papo com Tullio Dias, editor chefe do Cinema de Buteco. Envolvido há anos com o universo do cinema, o crítico expos suas visões sobre as ligações existentes entre os filmes e a Filosofia.

1) Tullio, há quanto tempo você está envolvido com o Cinema?

Tenho me envolvido com o mundo da crítica cinematográfica desde 2008. Mas a cinefilia é desde moleque. A partir de 1996 começou a ficar “sério”, com idas semanais ao cinema, enriqueci muito dono de locadora etc.

2) O que mais te atrai no universo cinematográfico?

A oportunidade de ser levado para um outro mundo no qual histórias de vida são apresentadas e, na maioria das vezes, existe a questão da superação e o final feliz, que muitas vezes não acontece na vida real. É um conforto para a alma.

3) Na sua visão, por que o Cinema é considerado uma forma de Arte? Todo filme pode ser considerado Arte?

O cinema combina a literatura, o teatro e a música num único formato. Por ser mais jovem que as demais artes, acaba sendo tratado de qualquer jeito pelos entusiastas das outras artes. No entanto, não há como se enganar: o cinema é a arte mais completa. Todo filme é uma obra de arte, inclusive os do Michael Bay. O curioso é que todo filme também é um produto feito sob medida para atender target x ou y.

4) Qual é o diretor de Cinema mais “filosófico” que você conhece?

Na atualidade, acredito que Christopher Nolan seja um cineasta animado com as chances de oferecer reflexões profundas de suas obras. Cada filme do cineasta possui camadas a serem analisadas e amadurecidas com o passar do tempo, das revisões e discussões. Fora ele, Stanley Kubrick sempre foi um gênio que tinha muito para dizer.

IMG_14935) Acredita que os filmes lançados atualmente são menos filosóficos (menos profundos, menos reflexivos) do que os que eram lançados mais antigamente?

Os filmes de hoje não são lá tão diferentes dos de antigamente. O cinema acompanha a cultura e a sociedade para ser um reflexo do seu tempo. O que mudou realmente foi o nosso comportamento e interesse em receber produções que nos fazem refletir. Com o tempo cada vez mais corrido e o excesso de informações, o cinema sofre com a perda de público que migra para séries televisivas que são tão boas (ou até melhores) que muitos filmes em cartaz.

6) As produções mais artísticas e profundas são excluídas da mídia? O que faz com que isso ocorra?

Apesar de ser uma arte, o cinema é um produto. Os executivos de Hollywood não costumam investir em filmes considerados cults e a mesma atitude é repetida pelos exibidores, que precisam atender à demanda para se sustentarem. Cinemas que optam por ignorar blockbusters fatalmente sofrem mais com a carência de público.

7) Os cineastas possuem filosofias específicas em suas formas de trabalhar? O que podemos entender por “filosofia de um diretor”?

Cada cineasta é um artista que cria uma ponte entre a ficção e a nossa alma. Mesmo os nomes mais infelizes do mercado possuem as suas assinaturas que os caracterizam. São os fetiches de cada um que precisam colocar em cena para exorcizar os próprios fantasmas; afinal, todo artista usa seus traumas pessoais como ferramenta para produzir.

8) A tecnologia é um dos aspectos mais frequentes do cinema atual. Você acha que ela pode substituir a capacidade de reflexão, ideias e criatividade da direção?

A tecnologia apenas auxilia a produção cinematográfica, já que o meio digital possibilita gastos menores e abre espaço para que qualquer um munido de uma câmera possa fazer cinema. Tecnologia se torna uma ferramenta para cineastas inteligentes e criativos.

9) O Cinema hollywoodiano possui menos valor artístico do que o de outros continentes? Por que há tanta crítica negativa a esse tipo de cinema?

Por preconceito. Cinema é nada mais que contar uma história. Experimentalismos ou produções que parecem feitas sob medida para agradar apenas críticos e estudiosos são chatas. O que acontece é que Hollywood interfere sim nos roteiros para torná-los mais acessíveis. Alguns cineastas combinam a necessidade do estúdio com as suas próprias, enquanto outros fracassam miseravelmente. Os entusiastas da sétima arte reclamam de Hollywood por não concordarem que cinema seja um grande e lucrativo produto.

10) Você é um crítico que gosta de criar “listas” de filmes. Então, sugira-nos seus “cinco filmes mais filosóficos”.

– Clube da Luta
– Matrix
– De Olhos Bem Fechados
– 2001
– Laranja Mecânica

 

 Category: ENTREVISTAS

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