DUALISMO CARTESIANO:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

O Dualismo Cartesiano é um importante conceito da filosofia de René Descartes (1596 –1650) e um dos pilares da Filosofia da Mente. Consiste na crença de que há uma dicotomia entre corpo (do latim, res extensa – “coisa extensa”) e consciência (do latim, res cogitans – “coisa pensante”), pois o corpo, acredita Descartes, é uma substância material e está submetido a certos fatores, tal como as leis físicas, o mundo externo e determinadas condições fisiológicas, enquanto a mente, por sua vez, sendo uma substância imaterial, indivisível, que não possui medida, forma, extensão, peso ou qualquer outro traço que seja característico do corpo – a consciência encontra-se livre de tais aspectos. Dessa forma, mente e corpo são compreendidos como substâncias que possuem natureza, realidade e funcionalidade diferentes e que encontram-se separadas, embora interajam entre si.

No contexto descrito acima, a glândula pineal (que é uma glândula endócrina que fica próxima do cérebro) é mencionada por Descartes como a responsável pela operação de captar as percepções provindas dos sentidos e, em seguida, transmiti-las ao cérebro, fazendo, portanto, a ligação entre res cogitans (que é a coisa pensante) e res extensa (coisa extensa, matéria) e, estabelecendo, dessa forma, a interação entre corpo e mente. Esse aspecto da filosofia cartesiana é especialmente explorado nas obras Discurso Sobre o Método (1637) e Meditações Sobre Filosofia Primeira (1641), pois nesses livros, o filósofo francês, buscando chegar a um conhecimento seguro e universal, aplica a dúvida hiperbólica, que o leva a se desfazer de todas as falsas opiniões e crenças que recebera até então e a duvidar também de certezas que obtivera por intermédio dos sentidos. Neste âmbito, em Meditações Sobre Filosofia Primeira, Descartes duvida, inclusive, da existência de seu próprio corpo e de artefatos naturais que o cercam, como montanhas e rios, além de duvidar de existência de objetos materiais em geral, pois considera que tudo isso possa ser criação de um gênio maligno que seria capaz de enganar o ser humano fazendo-o admitir como verdadeiro coisas que não o são. Contudo, é justamente dessa dúvida que surgirá a máxima “cogito, ergo sum”, ou “penso, logo existo“, sentença que propõe que mesmo que corpos, rios, montanhas e objetos externos sejam inexistentes, ainda assim, há uma mente que é capaz de estabelecer tal reflexão e que, dessa forma, existe ainda que essas outras coisas exteriores a ela não sejam reais, sendo este o ponto de partida do dualismo cartesiano.

Os problemas e reflexões que formulam esse dualismo e que expusemos brevemente acima, se tornaram alguns dos assuntos mais importantes da Filosofia da Mente e, com frequência, o dualismo cartesiano é citado em pesquisas, textos e teorias da área. Porém, é válido mencionar que essa proposta feita por Descartes, embora tenha sido historicamente expressiva e inspirado vários pensadores depois dele, ao longo do tempo também já foi muito refutada. De qualquer maneira, essa face da filosofia de Descartes permanece sendo um pilar teórico para os pensadores dualistas, que acreditam que mente e corpo possuem essências diferentes entre si. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

DESCARTES, René. Meditações Metafísicas/Discurso do Método. São Paulo: Abril, 1983. (Os Pensadores).

GARVEY, James, STANGROOM, Jeremy. A História da Filosofia. São Paulo: Editora Octavo, 2013. Tradução de Cristina Cupertino.

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