DUALISMO PLATÔNICO e o CORPO COMO OBSTÁCULO PARA AQUISIÇÃO DO CONHECIMENTO:

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi

Este texto baseia-se e tem como referência o Fédon, diálogo escrito por Platão, que narra o último dia de vida de Sócrates e apresenta uma discussão entre este filósofo e seus discípulos. Na mencionada obra, entre outros assuntos abordados, Platão expõe a ideia de que o corpo é um obstáculo que perturba o homem em sua busca pelo conhecimento. Um ponto de partida para compreensão deste fato, é que a filosofia platônica caracteriza-se pelo dualismo entre corpo e alma, sendo que este dualismo é justamente um dos outros assuntos mais explorados no Fédon. Para Platão, o corpo é frágil e de curta dualismo-platonico-e-o-corpo-como-obstaculo-para-aquisicao-do-conhecimentoduração. Em oposição, encontra-se a alma, que é caracterizada por sua resistência e longa duração. O primeiro é encarado de maneira negativa, pois atrapalha o filósofo que busca nutrir a alma, sendo esta, por sua vez, a atribuição mais positiva de um ser humano. 

Dentro de tal contexto, o corpo, com suas inúmeras necessidades fisiológicas, desejos, prazeres e doenças, constantemente distrai o homem e toma-lhe o tempo, tornando-se assim um cárcere que, por sua própria natureza, torna-se um obstáculo para aquisição do conhecimento. Estas observações podem ser notadas no seguinte trecho do Fédon: “Enquanto tivermos um corpo, e estiver a alma misturada a esse mal, jamais alcançaremos completamente o que desejamos, ou seja, a verdade. Pois o corpo nos mantém continuamente ocupados devido a suas necessidades de sustento; some-se a isso que é acometido por doenças, estas instam nossa busca do ser. O corpo nos enche de desejos sensuais, apetites e temores, de maneira que, como dizem, ele realmente nos impossibilita em absoluto o pensar”. (PLATÃO, p. 18, 2012). 

Assim sendo, Platão acreditava que o filósofo, que é o “amante do saber” difere-se daquele que é “amante do corpo”, pois o primeiro busca o desenvolvimento intelectual e a obtenção do conhecimento, enquanto que o segundo é o “amante do dinheiro e das honras”. Portanto, o verdadeiro filósofo deve distanciar-se, não se importar e até mesmo desprezar prazeres físicos tais como comer e beber ou ter posse de roupas e calçados elegantes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

PLATÃO, Fédon. 2012. Editora: Edipro.

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