EMPÉDOCLES:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Empédocles (490 a.C. – 430 a.C.) nasceu em Agrigento, no sul da Sicília. Teria sido grande defensor da democracia (2008, p.27), além de notável orador. Algumas fontes afirmam que foi médico e que chegou a escrever um poema sobre Medicina. Conta-se também que realizou milagres.

Assim como os outros filósofos pré-socráticos, empenhou-se em buscar um princípio racional que fosse o elemento essencial de formação da natureza. Contudo, sua conclusão diferenciou-se dos outros pensadores do período, uma vez que afirmou que não se tratava de um elemento primordial, mas de quatro que dariam forma à todas as substâncias naturais e inalteráveis: água, terra, fogo e ar. É válido mencionar que estas substâncias foram identificadas como Deuses: Nestis (água), Aidoneu (terra), Zeus (fogo) e Hera (ar). Este pensador pré-socrático registrou sua filosofia em forma de poemas¹, dos quais sobraram fragmentos de “Purificações” (restaram cerca de 129 versos²) e cujo foco é a reflexão sobre a alma, e de “Sobre a Natureza” (restaram cerca de 400 versos³), em que há abordagens sobre os quatro elementos primordiais que compõe a natureza, além de menções sobre a criação do universo. 

Conforme citado anteriormente, o pensador creditava a formação da natureza à quatro elementos primordiais, sendo todos eles indestrutíveis. E o ponto de partida para essa condição, é que Empédocles considerava que houve um período em que ar, terra, fogo e água, teriam permanecido inativos, formando uma Esfera. Neste contexto, o amor manteria esta esfera unida e homogênea, mas quando o ódio a adentra ocorre a separação dos elementos que se encontravam unidos e: “Das partes separadas da Esfera surge um cosmos em que as diferentes massas de água, terra, fogo e ar aparecem e as plantas e os animais se desenvolvem”. (LONG, A. 2008, p.221).  

Assim, os componentes recebiam influência destas duas forças antagônicas, o amor (philia, união, atração) e o ódio (nekos, separação, repulsa) que faziam com que os referido elementos se associam e formassem uma unidade ou então, se afastassem e se desassociassem. Nas palavras do próprio filósofo (BORNHEIM, Gerd. 1998, p.69): “… não há nascimento para nenhuma das coisas mortais, como não há fim na morte funesta; mas somente composição e dissociação dos elementos compostos: nascimento não é mais do que um nome usado pelos homens”. (Fragmento extraído de “Sobre a Natureza”, aforismo 8). Portanto, essas raízes, conforme se combinam, criam tudo o que existe na natureza. Dessa forma, qualquer mudança que ocorra, resulta das diversificadas combinações entre tais raízes, de forma que nada de novo surge, são apenas as substâncias componentes dos objetos que se alternam e, como consequência, modificam-no.

Além da reflexão sobre as quatro raízes que formam as substâncias existentes na natureza, o filósofo também registrou seus pensamentos sobre a alma. Empédocles teria recebido influência dos pitagóricos e do Orfismo e assim, acreditava na  imortalidade da alma que migraria constantemente por inúmeras vidas (passando, inclusive,  por plantas e animais) , até que, por fim, realizaria aquilo que é correto e se libertaria do ciclo de reencarnações. Antes de começar esta mencionada sequência de encarnações, as almas de todos os seres viviam em um lugar pacífico. Porém, após cometer pecados (que não são determinados pelo filósofo), a alma foi castigada e por isso, passou obrigatoriamente a habitar diferentes corpos carnais.

Embora haja mais de uma versão para a morte do filósofo, a mais popular é a de que  Empédocles se suicidou atirando-se no vulcão Etna. Alguns dizem, porém, que fora exilado de sua terra natal e que morreu no Peloponeso.

 NOTAS:

¹ Para alguns autores e/ou pesquisadores, Empédocles escreveu somente um único poema se tornou conhecido por dois títulos diferentes.

² Há variáveis em relação a estes números.

³ Há variáveis em relação a estes números.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

A.A.Long. Primórdios da Filosofia Grega. Aparecida: Idéias & Letras, 2008.

BORNHEIM, Gerd. Os Filósofos Pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1998.

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