ENTREVISTA com ANDERSON FASANO:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

No final de 2017, por intermédio da editoria EDUNISO, Anderson Fasano lançou seu primeiro livro, intitulado “Entre o Páthos e o Lógos – Filosofia em Clave Poética”.  A obra é composta por uma série alternada de poesias e aforismos que variam entre uma atmosfera profundamente reflexiva e uma aura de sensibilidade e sentimentalismo. Esse notável conjunto de características torna a leitura agradável e cativante, e a proporciona a rara capacidade de entreter qualquer tipo de leitor. Após me aventurar por linhas cujos conteúdos são imensamente aprazíveis, faço questão de recomendar o livro. O Acervo Filosófico teve a (honrosa) oportunidade de entrevistar o autor Anderson Fasano e, abaixo, você confere o resultado dessa conversa. Os exemplares de “Entre o Páthos e o Lógos – Filosofia em Clave Poética” podem ser adquiridos diretamente na Universidade de Sorocaba e custam R$20,00.

Anderson Fasano é licenciado em Filosofia pela Universidade de Sorocaba, Pós-Graduado em Sociologia e Ensino de Sociologia pelo Centro Universitário Claretiano e Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

1. Poderia explicar o significo do título de seu livro: Entre o Páthos e o Lógos – Filosofia em clave poética?

A Condição Humana se faz e se desfaz no interior das experiências de crise (Páthos) que assolam o indivíduo (se ainda podemos usar esta categoria) e o lançam em uma busca por um Entendimento mais profundo de si e do Mundo por meio das diversas racionalidades em nós inscritas (Lógos). Assim, podemos dizer que a Existência é, sobretudo, a vivência de conflitos permanentes que nos tornam “devir”: tentativas de exprimir significados a partir do absurdo. Nasce, pois a Filosofia “construindo” ou “criando” (poiésis), Linguagens d

“(…) É milagre? É magia? Não: é o arquiteto com seu traço“.

e Sentido que pronunciam as facetas do Humano no coração pulsante e caótico dessa aventura.

2. Quais foram suas principais inspirações para escrevê-lo? 

Minha própria trajetória existencial.

3. Que tipo de efeito acredita que os leitores sentirão com a leitura de suas poesias e aforismos? 

Não tenho ideia. Porém, acredito que alguém poderá se reconhecer nestes pequenos textos e, dessa forma, gostar um pouco mais da vida ou, simplesmente, ter coragem para deixá-la.

4. Quanto tempo você levou para escrevê-lo e como surgiu a ideia de publicá-lo?

Os primeiros textos datam de 1998 e ou últimos de 2016. A ideia de publicá-lo emergiu quando a Uniso lançou o Edital que proporcionara tal empresa.

5. No texto de apresentação do livro, você menciona a incoerência como um fato existencial indesejável e até mesmo intolerável. Mas não seria, justamente a incoerência, uma fonte das grandes fontes de inspiração artística?

É o que acredito.

6. A aura de Entre o Páthos e o Lógos é marcada por uma mescla de poesia e filosofia.  Poesia também pode ser filosofia? Ou poesia é somente uma forma de expressão artística?

Penso que sim. Não vejo a Filosofia apenas como episteme: é, antes, uma experiência dos saberes que nos impactam de várias maneiras e que move a crítica e a sensibilidade presentes em qualquer um(a) que se entregue à essa “curiosidade metódica” que a Filosofia suscita. Assim também pode acontecer com a Poesia (que não é apenas um gênero literário). Dentro, em mim, Filosofia e Poesia nascem juntas, imbricadas pericoreticamente em um mesmo movimento vital e mistérico.

7. Acredita que a filosofia pode ser catártica? Ou esse efeito se restringe à arte? 

Sim. Ela traz a crítica à baila e isso, a meu, ver é profundamente catártico. O encontro-confronto é algo “purificador”. Talvez esse seja um caminho à verdade: a crise! Caso isso não fosse verossímil penso que também estaria vedada à arte a possibilidade de manifestar suas tendências contestadoras e críticas.

8. Já que mencionados a arte e sei que sua pesquisa de mestrado, em suma, é voltada para as obras de Walter Benjamim e da Escola de Frankfurt, aproveito para perguntar: numa sociedade capitalista, como é possível desvincular a arte da mercadoria? Ambas são necessariamente opostas?

Pergunta de difícil resposta. No entanto, creio ser possível desvincular arte e mercadoria. Quando eu ou você esculpimos, escrevemos, pintamos um quadro, empilhamos objetos para manifestar nossa indignação, ou simplesmente para nos expressarmos como humanos que somos estamos “fazendo arte”, o que possui um valor em si mesmo. Não queremos vendê-la! Não a precificamos! Em outras palavras, há nela um valor semi-pleno. A arte torna-se mercadoria quando é-lhe imposta um preço, o que a torna vendável. Por outro lado, não é porque um quadro de Van Gogh é arrematado em um leilão que ele perde sua “artisticidade”. Ambas não são necessariamente opostas. A questão, a meu ver, é mais profunda: afinal de contas, quanto vale um ser humano? Quanto vale uma gota de suor que escorre de sua testa, ou uma sinapse que emerge em seu cérebro? E sua “inspiração”? Isso não tem preço! Nem tudo é uma questão de valoração subjetiva. Talvez seja por aí.

9. Pretende lançar mais livros futuramente? Quais são os planos?

Ainda não sei. Meu único plano, ou para ser mais direto, minha única esperança é uma morte rápida e inesperada. Alea Jacta Est!

 Category: ENTREVISTAS ESPECIAIS

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