ESTÉTICA – Introdução:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi e Paulo Pedroso

A palavra Estética, que corresponde a “aesthesis”, em grego, foi utilizado pela primeira vez pelo alemão Alexander Baumgarten e refere-se ao conhecimento sensorial, perceptível e que, portanto, se dá por intermédio dos sentidos, opondo-se ao conhecimento provindo pelo intelecto. Inicialmente, é necessário esclarecer que existe uma diferença entre o significado de estética no contexto filosófico e o significado popular adquirido nos dias de hoje, no qual essa palavra geralmente se refere aos cuidados e procedimentos de beleza oferecido por clínicas diversificadas.

Este tela pintada por Pablo Picasso pode ser considerada bela? (fonte: acervo pessoal).

De maneira geral, podemos dizer que o objetivo da Estética como área da Filosofia é a investigação acerca do Belo, e o ponto de partida para tal estudo é a obra de arte. Assim, ao longo da história da Filosofia, inúmeras perguntas sobre este tópico foram levantadas e tornaram-se objetos de reflexão. Por exemplo: “Como é possível definir o belo”? “Ele existe de maneira universal ou particular?”, “Que tipo de efeito o belo gera?”, etc. Partindo destas breves menções, entenda-se que a Estética envolve sempre a relação entre um objeto e um sujeito. Além disso, também é importante mencionar que o significado do Belo sofreu alterações no decorrer da história e este fato, é claro, interfere diretamente nas compreensões e possíveis conceitualizações da própria arte. 

Outro esclarecimento fundamental a ser feito, é que a arte era estudada na Filosofia desde o período Clássico na Grécia Antiga. Porém, neste contexto, a palavra arte, cuja origem é “ars” designava qualquer tipo de atividade técnica ordenada, submetida à regras e assim, falava-se, por exemplo, em “arte médica”. Outro aspecto importante em relação ao assunto, é que os gregos dessa mesma época usavam o termo “poiesis” para se referir à poesia, música e teatro, sendo estas manifestações que hoje nós entendemos como arte. Posteriormente, outros grandes pensadores se dedicaram ao estudo do assunto, dentre eles, alguns destaques são: Platão, com a teoria da mimese, Kant, com sua teoria da Estética Transcendental, Schiller, que citava as noções de Belo e Sublime, Arthur Schopenhauer, que considerava que a arte libertava o ser humano do sofrimento existencial, Nietzsche, com os conceitos de dionisíaco e apolíneo, além de contemporâneos como Jean-Paul Sartre e Heidegger e, enfim, muitos outros.

Além dos pontos destacados no parágrafo anterior, há uma informação relevante: apesar da estrita relação entre as manifestações artísticas e as percepções sensoriais, de certa forma, é possível conceitualizar a arte e o belo racionalmente quando se avalia uma obra. Este é, por exemplo, o papel de um crítico, cuja função é realizar análises lógicas sobre um determinado poema, música, teatro, etc.

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