HIPÁTIA DE ALEXANDRIA:

By Acervo Filosófico

   Por: Juliana Vannucchi

  Hipátia foi uma das mulheres mais célebres e fascinantes de toda a história da humanidade. Na época em que viveu tornou-se especialmente conhecida por sua sabedoria e comprometimento em diversas áreas, como a matemática, a lógica, a filosofia e a astronomia. Sua trajetória de vida ficou marcada tanto pela notável capacidade intelectual, quanto pela maneira trágica e injusta como faleceu (que será exposta no final deste texto). Abaixo, convidamos o leitor para explorar alguns dos mais importantes aspectos da vida de Hipátia de Alexandria. Apresentaremos alguns fatos biográficos e apontaremos alguns de seus feitos mais expressivos. Antes de prosseguirmos, é válido citar que há certa carência de informações precisas e confiáveis no que diz respeito à vida de nossa filósofa e alguns fatos apenas são aproximados (como a data de sua morte) e outros são apenas especulados (tal como seu nascimento).

   Inicialmente, faremos uma breve contextualização histórica: Alexandria foi uma cidade egípcia fundada no delta do Nilo pelo conquistador Alexandre, o Grande em aproximadamente 330 a.C. Uma das principais características do local foi a difusão da cultura grega que se instalou e vigorou em meio aos costumes egípcios. A cidade prosperou por bastante tempo, até que, após a morte de Cleópatra, Alexandria foi ocupada pelo Império Romano e, com esse fato, a tradição cristã passou a ganhar espaço e a tradição grega que era vigente, por sua vez, aos poucos foi perdendo força. A cidade existe até os dias de hoje e a segunda mais populosa do país.

Hipátia de Alexandria - Pensamento e vida.

Gravura feita por Elbert Hubbard, 1908.

Hipátia nasceu em Alexandria (menciona-se, geralmente, que tenha sido por volta 550-570, embora não haja nenhuma exatidão sobre isso). Foi fortemente influenciada e reconhecida por seus estudos sobre o Noplatonismo, que era uma corrente de pensamento muito estudada naquele período e local, e que, resumidamente, podemos dizer que interpretava a filosofia platônica sob aspectos de cunho místico e, digamos, espiritual. Além de ter recebido essa influência, também nutriu interesse pelo pensamento de Plotino (c.204/5 – 270), com quem estudou e, aliás, que teria sido quem a apresentou o platonismo. Hipátia tornou-se uma filósofa renomada, de grande destaque e provavelmente foi a primeira matemática do mundo, sendo que seu contato com está área se deu através de seu pai, Theon, que também era um notável matemático. Há incerteza em relação ao fato de Hipátia realmente ter sido de fato a primeira, mas certamente foi uma das mais primeiras e das mais brilhantes do mundo antigo – se não a mais.

Sabe-se que foi professora na cidade de Alexandria e que recebia alunos de várias regiões e que (conforme as cartas de seu aluno e discípulo Sinésio) dava aulas públicas sobre Platão e Aristóteles. Era afetiva, dedicada e muito admirada por sua sabedoria e por suas atitudes: “Ela era uma professora respeitada e eminente, era inclusive, carismática e amada de seus alunos (como por exemplo, por Sinésio). Temos provas de que era considerada bonita fisicamente e que usava trajes acadêmicos distintos, que ensinava não apenas matemática, mas também filosofia e que dava palestras públicas e pode ter exercido também algum tipo de cargo público.” (Tradução livre. Fonte: DEAKIN,  Michael. The American Mathematical Monthly, March 1994, Volume 101, Number 3). Aliás, já que tocamos no nome de Sinésio, vale mencionar a título de curiosidade que através de cartas trocadas entre o bispo e a filósofa, sabemos que Hipátia teria criado um instrumento científico que, de acordo com a descrição, se assemelha muito ao que hoje conhecemos como sendo o hidrômetro. Ela também teria desenvolvido outros tipos de equipamentos além desse.

Hipátia de Alexandria - Uma das mulheres mais notáveis da história.

Esta imagem de 1866, feita por Louis Figuier retrata a morte de Hipátia em Alexandria.

Apesar de toda importância da filósofa e das menções históricas feitas a ela, é fundamental salientar que existe certa controvérsia entre os estudiosos em relação aos livros que são considerados de sua autoria e, assim, embora haja alguns títulos a ela atribuídos, não há consenso ou provas de que tenham sido realmente escritos por seus próprios punhos. Acredita-se que a maior parte de seus trabalhos tenham se perdido ao longo do tempo.

Em aproximadamente 415, durante o período da Quaresma, Hipátia teria sido brutalmente assassinada por um grupo de cristãos intolerantes que torturaram-na antes de lhe matar: despiram-na, desmembraram-na com pedaços de cerâmica e seus restos foram conduzidos a uma igreja e lá foram queimados. Há Ainda outra versão que diz que ela foi atirada diretamente em uma fogueira ainda enquanto viva. Os motivos para esse ataque foram, em suma, embasados em questões políticas e religiosas e, definitivamente, o perfil de nossa pensadora não se enquadrava nos moldes propostos pelo Cristianismo que crescia cada vez mais na região. Cirilo teria espalhado mentiras a seu respeito, acusando-a de feitiçaria e de ateísmo.

Hipátia se tornou mais uma personagem lendária na história, cujos conhecimentos, pensamentos e capacidades, ao mesmo tempo em que impressionaram e cativaram alguns de seus contemporâneos, também foram alvo de intolerância por outros. Atualmente, a grande pensadora de Alexandria é vista como protagonista de uma história deslumbrante que a imortalizou como uma das mulheres mais incríveis que já existiu. Se houver interesse em aprofundamento de pesquisa, indicamos a Suda, que é uma  enciclopédia do século X, e constitui uma das mais antigas e importantes fontes a mencionar Hipátia de Alexandria. Também sugerimos a obra “Hipátia de Alexandria”, da autora Maria Dzielska e dos relatos do historiador Sócrates, o Escolástico. Também indicamos a leitura das cartas de Sinésio, que podem ser acessadas através deste link: http://www.livius.org/sources/content/synesius/

No YouTube também é possível encontrar na íntegra o filme Ágora, que narra a história de Hipátia de Alexandria. Abaixo, segue o link para acesso: https://m.youtube.com/watch?v=OD2VWJ97Fxg

REFERÊNCIAS:

https://www.google.com.br/amp/s/www.publico.pt/2009/12/30/culturaipsilon/noticia/o-espelho-de-hipatia-248062/amp. Acessado em: 28/03/2018.

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Hipátia. Acessado em: 25/03/2018.

http://www.livius.org/sources/content/synesius/. Acessado em: 31/03/2018.

CABECEIRA, Ana Clara da Silva. A Vida de Hipátia de Alexandria: Representação de Gênero na Antiguidade Tardia. Universidade de Brasília, 2014.

DEAKIN, Michael. Hypatia And Her Mathematics. In: The American Mathematical Monthly, Volume 101, Number 3. Australia: Monash University, 1994.

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