HOMEM COMUM versus HOMEM SUPERIOR:

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi

O saber é, em tudo, a principal fonte de felicidade” – Antígona, 1328.

A filosofia de Arthur Schopenhauer possui um viés considerado como sendo pessimista, pois aborda o sofrimento como um de seus principais aspectos. Porém, o pensador nos deixou reflexões sugestivas de como alcançar a felicidade para viver de maneira mais nobre e confortável. O texto abaixo é baseado em ‘Aforismos Sobre a Sabedoria da Vida’, desse autor.

Podemos negar nossos tormentos, mas é mais nobre assumi-los. Somos constantemente assombrados por dor e angústia, e nossa existência envolve traços negativos. Schopenhauer reconhece isso tudo, e mostra um caminho para suportar a tragédia que nos assola. Comecemos por esclarecer que, o autor defende que devamos considerar sempre aquilo que somos em nós mesmos, em oposição ao que pensam de nós e ao que temos materialmente. O reconhecimento da personalidade aliada à saúde são os pilares para uma vida sabia. “O que temos em nós mesmos e por nós mesmos, em suma a personalidade e seu valor, são o único fator imediato de nossa felicidade e bem-estar”. (ibid). Isso nos leva a perceber que é preciso bastar-se de si. Esse processo envolve cuidados com a saúde, bom humor e “um cérebro poderoso” (ibid). Esses são bens pessoais, que podemos conquistar e conservar através de nós próprios. Ou seja, devemos encontrar satisfação interior com nós mesmos e desconsiderar a opinião alheia, pois o essencial, o básico para a sabedoria que conduz à felicidade, reside em nosso interior. A tudo isso, deve aliar-se o desenvolvimento intelectual, que é a maior preciosidade a ser conquistada. O restante dos prazeres é efêmero e movem-se por intermédio daquilo que Schopenhauer entende como Vontade. A maior riqueza e a única importante, é aquela que irá agregar algo no âmbito intelectual, portanto trata-se da obtenção de conhecimento. Esse é um passo fundamental para a sabedoria. Além disso, qualquer outro valor torna-se supérfluo.

Neste ponto, Schopenhauer diferencia o homem comum do homem superior (que é o sábio). Os primeiros são os que buscam a felicidade fora de si, lançando-se nas honras, em títulos, status e poder. “Comer ostras, beber vinho e champagne, isso constitui o fim supremo de sua existência. Proporcionar tudo o que possa contribuir ao bem-estar material: esse é, pelo menos, o programa de sua vida”. (ibid). Este é homem cujo centro da gravidade está no exterior. Os segundos, são os que nutrem o seu interior e despreocupam-se com os prazeres oriundos de fontes físicas/materiais. Estes são superiores e tudo aquilo de que necessitam para a sabedoria, está dentro de si. E este homem não se importará com aquilo que representa para os outros, por isso ele está acima do ‘homem comum’ que, naturalmente, possui a tendência de se preocupar em demasia com aquilo que os outros pensam de si. “Em tudo aquilo que fazemos, levamos em conta antecipada a opinião dos outros é essa preocupação dá azo ao nascimento da metade das angústias a preocupações que nos afligem” (ibd).

A felicidade que vem de fora é fictícia. O que importa é assimilação de nossa própria personalidade sempre preenchida pela busca de conhecimento, em contraposição a qualquer tentativa de se encontrar melhorias subjetivas naquilo que nos é externo. Precisamos ser suficientes para nós mesmos se quisermos progredir neste campo minado no qual a dor, a miséria e o caos sempre se fazem presentes.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. As dores do mundo. São Paulo: Edipro, 2014.

 

 

 

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