INTRODUÇÃO À TEORIA ESTÉTICA DE OSCAR WILDE:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Oscar Wilde foi uma das figuras mais incríveis das quais temos conhecimento. Sua genialidade literária era notavelmente original, e seus enredos mesclavam críticas sociais com doses de sarcasmo, sendo tais aspectos preenchidos com uma imensa maestria filosófica. Porém, na época em que produziu suas obras, foi incompreendido pela maior parte da sociedade, e suas atitudes excêntricas, de maneira geral, foram desaprovadas pela população. Esses fatores fizeram com que a vida do escritor tomasse rumos trágicos e dolorosos. Primeiro, Wilde enfrentou dias sombrios atrás das grades de uma prisão. Posteriormente, lutou contra uma doença que lhe tirou a vida. Além do legado precioso que deixou em suas histórias, também nos presenteou com a herança de sua teoria artística. 

Para o escritor, a arte tinha como função libertar ou amenizar o homem de seus horrores naturais e corriqueiros causados pela sociedade industrial. Essa explanação foi por ele denominada como “dandismo”. Esta palavra provém de “dândi”, que era um título dado a intelectuais e produtores/admiradores da arte que não pertenciam á nobreza, que viviam de maneira ociosa, e davam grande importância à beleza, aos prazeres cotidianos e, claro, principalmente aos estéticos. Os dândis eram assim, caracterizados como pessoas extravagantes, extremamente artísticas, e que possuíam uma aura anarquista que tecia suas inclinações hedonistas. Alguns de seus representantes foram: Charles Baudelaire, Lord Byron, Bryan Brummeu, e, claro, o próprio Oscar Wilde. 

Aliás, Oscar Wilde era, por excelência, um dos maiores representantes dessa tendência estética e foi um dos maiores destaques dessa categoria ideológica. Outro importante nome que representou essas vertente de personalidade, foi o poeta simbolista Charles Baudelaire.  Em sua contribuição para o livro “O Manual do Dândi”, Baudelaire explica que “(os dândis) são todos dotados do mesmo caráter de oposição e de revolta; são todos representantes do que há de melhor no orgulho humano, dessa necessidade, bastante rara nos homens de hoje, de combater e de destruir a trivialidade. Vem daí, nos dândis, essa atitude altiva de casta provocadora, até mesmo em sua frieza.”INTRODUÇÃO À TEORIA ESTÉTICA DE OSCAR WILDE:

O Dandismo teve forte destaque na moda e até hoje é uma inspiração para estilistas do mundo todo. Mas sua essência vai além das vestimentas, e constrói uma verdadeira filosofia de vida que se alimenta do “belo” artístico, e do que esse “belo” agrega em si: o prazer, a liberdade e o encantamento. E esses elementos acabam por caracterizar a própria produção artística dos representantes do movimento. A obra de Oscar Wilde, por exemplo, era livre, pois estava desapegada aos costumes literários de sua época, além de abordar aspectos críticos e ataques satíricos a alguns setores da sociedade.

Portanto, no que diz respeito ao método textual, representava liberdade na forma e no conteúdo. Para uma melhor compreensão da maneira como o escritor inseria o Dandismo em sua expressão artística, seguem suas próprias palavras escritas no prefácio de “O Retrato de Dorian Grey”, seu único (mas altamente relevante) romance publicado: “O artista é o criador de coisas belas. […] O critico é quem é capaz de traduzir para outras linguagens e em novos materiais suas impressões sobre as coisas belas. […] Aqueles que encontram significados ruins em coisas belas são corruptos sem nenhum charme. Isso é um erro. Aqueles que percebem belos significados em belas coisas são os ilustrados. Para estes, existe esperança. Eles são os eleitos para quem belas coisas só podem conter unicamente beleza. […] Um livro jamais poderá ser considerado moral ou imoral, tal coisa não existe. Existem livros bem escritos e livros mal escritos. Isto é tudo. […] Nenhum artista deseja provar coisa alguma. […] Nenhum artista se prende a valores éticos. Valores éticos em um artista é um imperdoável maneirismo de estilo. […] Vício e virtude são para o artista materiais para sua arte. […] Opiniões diversas sobre uma obra de arte demonstra que a obra é inovadora, complexa e vital. Quando os críticos discordam, o artista está em acordo com ele mesmo. Podemos perdoar um homem por se dedicar, por muito tempo, a algo útil contanto que ele não tenha admiração pelo que faz. A única desculpa para se fazer uma coisa inútil é que ela seja capaz de produzir uma admiração intensa. Toda arte é totalmente inútil“. 

Essa passagem nos ajuda a compreender a visão vanguardista que Wilde tinha em relação à atividade estética, e também a entender os objetivos do dandismo, que eram focados em uma valorização exacerbada da arte, tanto em sua produção, quanto em sua contemplação, entendo o belo (prazer/encantamento) como ponto crucial da obra. O artista precisava entregar-se em sua atividade de criação sem preocupar-se com postulações morais.

Isso nos ajuda a compreender porque as atitudes de Oscar Wilde foram tão reprovadas em seu tempo, e nos leva a perceber que sua Ética era a sua Estética.  Afinal, ele buscava inserir seu posicionamento ideológico e moral da filosofia da arte, em seu próprio cotidiano social. Wilde realmente personificou a concepção do Dandismo e dedicou sua vida aos mais sutis e sublimes efeitos que o universo artístico pode proporcionar a um ser humano., para o escritor o belo deveria ser vivenciado e apreciado diariamente, em vários aspectos: fosse no modo de se vestir, de se comportar ou de agir.

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