KANT:

By Acervo Filosófico

Por: Andresa Camargo

Immanuel Kant nasceu, viveu e morreu em Königsberg (atual Kaliningrado), na época pertencente à Prússia. Foi o quarto dos nove filhos de Johann Georg Kant, um artesão fabricante de correias (componente das carroças de então) e de Regina. Nascido numa família protestante (Luterana), teve uma educação austera numa escola pietista, que frequentou graças à intervenção de um pastor. Contudo, tornou-se muito cético relativamente à religião organizada na sua vida adulta, embora preservasse a crença em Deus.

Passou grande parte da adolescência como estudante sólido, mas não espetacular, preferindo o bilhar ao estudo. Tinha a convicção curiosa de que uma pessoa não podia ter uma direção firme na vida enquanto não atingisse os 39 anos. Com essa idade, era apenas um metafísico menor numa universidade prussiana, mas foi então que uma breve crise existencial o assolou; e pode-se argumentar que ela teve influência em sua direção posterior. Kant foi um competente professor universitário durante quase toda a vida, mas nada do que fez antes dos 50 anos lhe garantiria qualquer reputação histórica. Viveu uma vida extremamente regulada: o passeio que fazia às 15h30 todas as tardes era tão pontual, que as mulheres domésticas das redondezas podiam acertar os relógios por ele.

Kant nunca deixou a Prússia, e raramente saiu de sua cidade natal. Apesar da reputação que ganhou, era considerado uma pessoa muito sociável: recebia convidados para jantar com regularidade, insistindo que a companhia era boa para a constituição física.

Por volta de 1770, com 46 anos, Kant leu a obra do filósofo escocês David Hume, considerado por muitos um empirista ou um cético, e por outros um naturalista. Kant sentiu-se profundamente inquietado: considerava o argumento de Hume irrefutável; mas suas conclusões, inaceitáveis. Durante 10 anos não publicou nada e, em 1781, publicou a Crítica da Razão Pura, um dos livros mais importantes e influentes da moderna filosofia.

Em Crítica da Razão Pura, Kant desenvolveu a noção de um argumento transcendental para mostrar que, em suma, apesar de não podermos saber necessariamente verdades sobre o mundo “como ele é em si”, estamos forçados a percepcionar e a pensar acerca do mundo de certas formas: podemos saber com certeza um grande número de coisas sobre “o mundo como ele nos aparece”. Por exemplo, que cada evento estará causalmente conectado com outros, que aparições no espaço e no tempo obedecem a leis da geometria, da aritmética, da física, etc.

Nos cerca de vinte anos seguintes, até sua morte em 1804, a produção de Kant foi incessante. Seu edifício da filosofia crítica foi completado com a Crítica da Razão Prática, que lidava com a moralidade de forma similar ao modo como a primeira crítica lidava com o conhecimento; e com a Crítica do Julgamento, que lidava com os vários usos dos nossos poderes mentais, que não conferem conhecimento factual e nem nos obrigam a agir: o julgamento estético (do Belo e do Sublime) e o julgamento teleológico (construção de coisas como tendo “fins”). Segundo Kant, os julgamentos estéticos e teleológicos conectam os nossos julgamentos morais e empíricos um ao outro, unificando o seu sistema.

Uma de suas obras, em particular, atinge hoje em dia grande destaque entre os estudiosos da filosofia moral: a Fundamentação da Metafísica dos Costumes é considerada por muitos filósofos a mais importante obra já escrita sobre a moral. É nesta obra que o filósofo delimita as funções da ação moralmente fundamentada e apresenta conceitos como o “imperativo categórico” e a “boa vontade”.

Kant escreveu alguns ensaios medianamente populares sobre história, política e sobre a aplicação da filosofia à vida. Quando morreu, estava a trabalhar numa projetada “quarta crítica”, por ter chegado à conclusão de que seu sistema estava incompleto; este manuscrito foi então publicado como Opus Postumum. Morreu em 12 de fevereiro de 1804, na mesma cidade em que nasceu e permaneceu durante toda a sua vida. Encontra-se sepultado no Cemitério de Kaliningrado, na Rússia.

 

Related articles

Leave a Reply