METAFÍSICA – Introdução:

By Acervo Filosófico

Por: Pedro Bracciali

A palavra “Metafísica” tem sua origem quando Andrónico de Rodes (60 a.C), ao atribuir uma ordem nas obras de Aristóteles, colocou em primeiro lugar os livros de física e em seguida os livros que tratam da filosofia primeira, chamando-os de metafísica, ou seja, aqueles que estão detrás da física. Entretanto, essa denominação original, apenas classificatória, resultou no sentido que se dá a ela, como um conteúdo cujo saber pretende penetrar no que está situado além do ser físico enquanto tal (MORA, 1978, verbete: Metafísica).

A definição de Aristóteles da metafísica como uma ciência que considera o ser enquanto ser e as propriedades que lhe competem – ou seja, o ser considerado apenas em sua essência, naquilo que o faz ser o que é, sem seus acidentes – encontra-se no quarto livro, Livro Gama (ARISTÓTELES, 2014, 1003a 20-30). Esclarece ainda essa passagem que, ao buscar as causas e os princípio supremos, estes devem ser causas e princípios de uma realidade que é por si.

Entretanto, se o conjunto de livros que tratam da filosofia primeira deu origem a um estudo específico, com denominação própria, a preocupação dos filósofos grego com o ser é bem anterior à Aristóteles. O diálogo ‘O Sofista’ de Platão (2011) já aparece como um prodigioso esforço em torno do ser e do não-ser; a reflexão em direção ao passado nessa obra, retoma o pensamento dos primeiros filósofos na tradição grega. Para Vaz (2001) O Sofista lança definitivamente as bases da ontologia como ciência e foi no aprofundamento de sua posição que, posteriormente, se pode dar a esse estatuto uma formulação adequada.

‘A pergunta pelo ser’ fundamenta-se, desde a Grécia antiga, na possibilidade de as coisas terem um ser e que também seja possível desvelar esse ser. Muitas interpretações foram dadas ao logo da história da filosofia dependendo da parte que se toma como inteiro – incluindo ou não o suprassensível – às vezes, entende-se o ser como a essência; ou existência; ou ente; ou ainda, como a substância.

De uma maneira bem resumida Mora (1978, verbete: Metafísica) cita o exemplo do pensamento de alguns filósofos a respeito da metafísica: Para S. Tomás, a metafísica trata das causas primeiras, mas a causa real e radicalmente primeira é Deus; e a metafísica trata do ser como convertível com a verdade, mas a fonte de toda a verdade é Deus. Nesse sentido, Deus é o objeto da metafísica. Francis Bacon considerava que a metafísica como ciência das causas formais e finais, ao contrário da física, que é a ciência das causas materiais e eficientes. Descartes vê a metafísica como uma filosofia primeira que trata de questões como a existência de Deus e a distinção real entre a alma e o corpo do homem. Alguns pensadores rejeitaram a possibilidade do conhecimento metafísico e de qualquer realidade considerada transcendente. Na época moderna Hume, entendia que a divisão de qualquer conhecimento em conhecimento de fatos, deixa sem base o conhecimento de qualquer objeto metafísico; não há metafísica porque não há objeto de que essa pertença ciência possa ocupar-se. Kant tenta achar um meio termo afirmando que não se pode dar rédea solta às especulações sem fundamento; nem é possível simplesmente cair no cepticismo: é mister fundar a metafísica para que venha a converter-se em ciência e para isso há que proceder a uma crítica das limitações da razão. Algumas correntes contemporâneas opuseram-se decididamente à metafísica, considerando-a uma pseudociência. É o que acontece com alguns pragmatistas, como os marxistas e os positivistas lógicos (neopositivistas).

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REFERÊNCIAS:

ARISTÓTELES. Metafísica. 4. ed. São Paulo: Loyola, 2014. 696 p. (Volume II). Tradução do grego e comentário: REALE, Giovanni. Tradução: PERINE, Marcelo.

MORA, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1978. Texto preparado por Eduardo Garcia Belsunce e Ezequiel Olaso traduzido do espanhol por António José Massano e Manuel Palmeirim. Versão on-line reduzida, obtida nas redes sociais. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/0bwoc795hizdhyy02vlfauvfsnmlhsme2sk54bmnhzw/view>. acesso em: 10 jan. 2017.

PLATÃO. Sofista. 1. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2011. 265 p. Prefácio, Introdução e Apêndice de: Santos, Jose Trindade; Tradução de: Murachco, Henrique; Maia Jr., Juvino e Santos, Jose Trindade.

VAZ, Henrique Cláudio de Lima. A Dialética das Ideias no Sofista: in: Ontologia e História. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2001. 288 p. (Escritos de Filosofia VI).

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