“O PRÍNCIPE” – NICOLAU MAQUIAVEL: UMA INTRODUÇÃO:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

É melhor ser temido do que amado, se não for possível ser os dois”. – Maquiavel.

Nicolau Maquiavel nasceu em 1469, em Florença, na Itália. Quando tinha 29 anos, deu seus primeiros passos no mundo da política e se tornou secretário do governo republicano de sua cidade natal. Nessa época, o país era controlado por Soderini. Entretanto, para infelicidade do jovem Maquiavel, o republicano foi deposto e os Médicis ocuparam o poder da cidade e também de outros Estados vizinhos. O filósofo tentou reagir a essa situação, mas como resultado, foi torturado e preso, e após esse período de sofrimento, instalou-se numa propriedade sua, perto de San Casciano. Foi durante essa estadia de dez anos, na qual se dedicou à leitura e à escrita, que produziu (dentre outras), sua obra de maior destaque, intitulada “O Príncipe”, através da qual o tornou-se reconhecido como pai da Ciência Política moderna. 

Um ponto de partida relevante dessa rica obra é a noção de coletividade, ou seja, a ideia do bem-comum social, para o qual as ações políticas devem se voltar. Nesse âmbito, para que possa agir em prol da sociedade e inaugurar seu governo, as bases da teoria política de Maquiavel sugerem que o Príncipe deve lutar pela conquista do poder e, ao conquistá-lo, se esforçar para mantê-lo com ele. Nesse sentido, o apoio popular é altamente importante: “O príncipe deveria ter uma tríplice missão: a) tomar o poder; b) assegurar a estabilidade política; c) construir a República unificada.” (JAPIASSÚ. MARCONDES, 2001, 172-173).

Podemos dizer que esse livro escrito por Maquiavel consiste numa espécie de “manual” para o governante.

Há dois aspectos importantes que tangem a ação do príncipe em sua jornada política de conquista e manutenção do poder: a “virtù” e a “fortuna”. O primeiro termo designa uma característica importante do governante: a virtude, um traço que o conduz a agir de maneira correta, no momento certo. Pode ser definida como um atributo que o Príncipe possui para tomar atitudes, dirigir devidamente as suas ações, estratégias e os caminhos que trilhará em seu governo. A Fortuna, por sua vez, pode ser compreendida como um determinado momento, como o “presente”, ou uma situação cujo potencial pode ser favorável ou desfavorável e à qual o Príncipe deve estar sempre atento.

Maquiavel menciona em sua obra, dois animais que serviriam de inspiração para o governante, e cujos atributos deveriam por ele ser incorporados: o Príncipe deveria ser astuto como uma raposa e assim, sempre manter-se atento ao que ocorre ao seu redor, sendo capaz de identificar possíveis armadilhas arquitetadas contra ele. É preciso também, em certas ocasiões, ser feroz como um leão, para poder assim, amedrontar as pessoas e inimigos quando for necessário – sim, a nação deve temer a figura do governante e também temer das possíveis punições que pode sofrer por seus atos. Além disso, o Príncipe precisa sempre considerar que o bem da nação é o grande objetivo de seu governo e é o que justifica seu poder. Deve sempre manter uma postura firme e, por vezes, se julgar necessário, ignorar a moral estabelecida, caso tal atitude seja útil para manter/salvar o Estado e assegurar sua glória.

Note-se ainda, a título de curiosidade, que o termo “maquiavélico”, que é popularmente empregado em várias ocasiões, não surgiu com o autor de “O Príncipe”, e nem no período em que a obra foi publicada, mas sim posteriormente, por volta do século XVI.  Por fim, podemos dizer que esse livro escrito por Maquiavel consiste numa espécie de “manual” para o governante. Mas é importante mencionar que até os dias de hoje, essa obra que é tão frequentemente estudada, possui interpretações que divergem em alguns sentidos, de forma que se torna um tanto arriscado postular certezas sobre alguns aspectos do livro, pois as reais intenções e objetivos de Maquiavel são ainda amplamente discutidos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Penguin Companhia. Disponibilizado por: Le Livros.

JAPIASSÚ, Hilton. MARCONDES, Danilo.Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

QUIRINO, Célia. SOUZA, Maria. O Pensamento Político Clássico. São Paulo: BBCS, 1980.

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