PLATÃO e o MUNDO DAS IDEIAS:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Platão foi um filósofo que dedicou-se ao estudo de diversas áreas. Seus diálogos abordam temas como epistemologia, política, estética, ética, metafísica, entre outros. Este texto possui um foco particular, que é apresentar as principais características do Mundo das Ideias, um dos principais pilares da filosofia platônica. 

Busto que representa Platão (428/427 –348/347 a.C.), um dos mais importantes filósofos da história.

Primeiramente, é importante esclarecer que este tema é tratado em mais de um diálogo platônico e consiste em um dos principais fundamentos do pensamento do filósofo. Para entender as razões que possivelmente motivaram Platão a desenvolver esta parte de sua filosofia, precisamos resgatar alguns aspectos do pensamento pré-socrático, tendo como foco, especialmente duas propostas feitas por dois pensadores específicos que antecederam Platão: Heráclito e Parmênides. O primeiro, em suas tentativas de buscar elementos que explicassem a natureza, entendeu e afirmou que a realidade que o cercava era aparente, ou seja, estava em constante transformação (devir). Em oposição, Parmênides assegurou que a realidade não se altera e negou a ideia de movimento contínuo da natureza. 

O Mundo das Ideias parece surgir para Platão como uma proposta reflexiva que sintetiza estas oposições anteriores. Platão compreende que existem dois planos distintos: um deles é estável, o outro instável. O que o filósofo chamou de Mundo das Ideias é imutável, eterno e real, e opõe-se ao Mundo Sensível, em que os objetos são passageiros, caracterizados pela mutabilidade e ilusórios. Este último é o mundo das aparências, das cópias imperfeitas daquilo que se encontra no Mundo das Ideias que, por sua vez, é o mundo da Episteme (verdades) e o Mundo Sensível o mundo traçado pela doxa (opinião), através do qual, portanto, não se atinge a verdade. Isto significa que no primeiro mundo as coisas existem em sua essência e como absolutas, enquanto que no segundo, apenas existem de maneira aparente, não como realmente são em si. O Mundo Sensível é o mundo que apreendemos, que sentimos e que vivemos. Neste plano existem apenas cópias das Formas verdadeiras que encontram-se no Mundo das Ideias. Para Platão, a razão é o instrumento que possibilita o conhecimento das verdades eternas que encontram-se no referido mundo perfeito. Através do exercício intelectual, o homem pode relembrar verdades que já encontram-se em seu íntimo e que foram anteriormente assimiladas pela alma no Mundo das Ideias.

Estas aparências encontradas no Mundo Sensível teriam sido criadas por um ser superior chamado por Platão de Demiurgo (que seria um artesão). Este, teria montado um mundo imperfeito que copia as formas perfeitas e, assim, as essências existentes neste plano ideal proposto por Platão possuem a forma primordial da qual se originam as coisas que o homem conhece através da realidade sensível. Ou seja, há uma forma da qual tudo se origina. Por exemplo, pensemos em uma caneta: por mais que haja uma variedade de modelos deste mesmo objeto, ainda assim, existe uma “ideia primordial” básica do que ela é, quer dizer, há uma ideia de caneta.

Para ilustrar este pensamento, Platão utilizou-se de uma alegoria que se tornou conhecida como “Alegoria da Caverna” ou “Mundo da Caverna”. Neste texto metafórico, conta que havia uma caverna na qual muitos prisioneiros, desde seus nascimentos, lá viviam acorrentados. Viam sempre sombras projetadas nas paredes que eram formadas pela luz de uma fogueira, e acreditavam que as imagens que elas formavam era a realidade. Mas supõe-se que um dos homens da caverna consegue escapar daquele local, e sair de tal ambiente. Quando chega ao mundo externo, a verdadeira luz quase o cega. Seus olhos doem, mas ele se adapta. Logo percebe que sempre viveu acorrentado numa ilusão que acredita ser uma verdade absoluta. Lá fora, ele vê os verdadeiros seres cujas imagens projetavam-se de maneira distorcida no interior da caverna. Ele decide voltar e partilhar seu conhecimento com os outros homens que ainda estão acorrentados. No entanto, estes homens zombam dele e não acreditam em seu relato. Suponha que a caverna seja esta dimensão em que vivemos e que, muitas vezes julgamos ser a realidade (Mundo Sensível). Em contraponto à este plano de distorções e de sombras, existe uma realidade em si com objetos reais tal como o são verdadeiramente. Este seria o Mundo das Ideias. Ressalte-se que o Mito da Caverna possui outras interpretações além desta que foi exposta, mas certamente, apesar de tais divergências interpretativas, simboliza muito claramente a base da Teoria das Ideias.

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