REALIDADE VIRTUAL:

By Acervo Filosófico

Por Paulo Pedroso

REALIDADE VIRTUAL: Vez ou outra aparece aquela novidade que deixa até mesmo os mais “antenados” meio perdidos e se sentindo ultrapassados, tal como a TV digital, os smartphones, armazenamento em nuvem… Mas isso piora quando um novo aplicativo vira febre e você se pergunta:  qual a diferença deste para os que já existiam? Eu não estamos falando daquela vovó que parou no tempo e acha que celular é um artefato demoníaco, mas sim de jovens que mal passaram do vinte e não entendem os aplicativos da “moda”. Cada um na sua época: Tumblr, twitter, tinder, snapchat… Cada qual com sua especificidade, mas todos com algo em comum, populares e incompreendidos.

Alguns desses aplicativos são surpresa para muitas pessoas, mas a surpresa seria dupla se soubessem que nenhum deles é revolucionário, e que de novidade não tem muito a oferecer, a não ser um novo nome para algo que já existia. Contudo, se estas tecnologias e aplicativos já existiam, porque só agora se popularizaram? E porque essa popularidade é tão incomoda a tanta gente? Essa questão certamente é psicológica, embora com cunhos antropológicos e sociais, pois o cérebro humano possui uma programação básica e natural, para sempre evitar a dor e buscar o prazer, sendo que neste processo, novos aplicativos e tecnologias surgem implicando em novos aprendizados e trazendo esforço despendido para seu usuário se adequar a uma nova realidade, e não ser mais um daqueles “dinossauros” que você mesmo criticava anos atrás.

O último app de estrondoso sucesso e com quebra de alguns recordes é o Pokémon GO, um jogo que utiliza-se da câmera de celular e também do GPS para criar uma realidade aumentada e fundir o jogo com o mundo exterior. Isso pode parecer algo revolucionário, mas não é. A realidade aumentada e a realidade virtual já têm quase uma década, o mundo digital duas décadas, e o 3D mais tempo ainda… Todas as ferramentas usadas no jogo são antigas, e a própria franquia Pokémon já se arrasta por gerações, sendo que  única e mais notável diferença dos velhos tempos para a criação do app,  foi a combinação das ferramentas que este último usou, somadas a um desenho de sucesso.

Como o app se popularizou e destacou-se rapidamente, logo surgiram duas vertentes de posicionamento: os “lovers” que jogam, defendem o app e só veem e falam sobre os lados positivos, e os “haters”, que associam tudo de negativo ao novo app. Essa dicotomia também não é novidade, é um processo histórico que está apenas se repetindo. Para se ter uma ideia, saiba-se que quando a fotografia surgiu, os pintores disseram que jamais seria arte, quando surgiu a TV a pessoas se intrigaram sobre o que levaria alguém a ficar parado em frente uma caixa com uma tela vendo pequenas pessoas, sendo que era possível ir ao teatro e ver as pessoas de verdade e em tamanho real. Expandindo um pouco mais a visão e não se limitando ao último app de sucesso, que reflexão cabe fazer sobre a realidade virtual, o que ela traz de diferente, como sua popularização vai mudar o comportamento das pessoas, qual será o próximo passo?

Inicialmente vamos diferenciar realidade digital e realidade virtual: a primeira consiste numa cópia da realidade física, e a segunda, a virtual, é uma possibilidade de realidade. Assim, ter uma versão digital implica em necessariamente ter uma versão real, já no caso do virtual, a versão real não se faz necessária. Um exemplo para concretizar a citada diferença seria uma biblioteca. Vejamos: existem bibliotecas físicas onde existem livros reais, e há bibliotecas digitais onde o conteúdo digitalizado disponível (online ou offline) é uma cópia de livros físicos que existem ou já existiram. Em uma biblioteca virtual, o conteúdo foi escrito diretamente na rede, não existe versão física da publicação. Essa diferença pode parecer pequena, pois “um texto é texto”, seja numa folha de papel, em um arquivo scaneado ou em blog. A leitura ainda é a mesma, mudando apenas o dispositivo, mas e se a realidade pudesse dar um passo a mais e se distanciar mais da realidade física?

A realidade virtual, embora de conceito antigo, é de jovem aplicação. Os meios tecnológicos apenas recentemente permitiram sua execução, expansão e aperfeiçoamento. Dessa forma, agora ela é capaz de criar novos mundos e novas realidades que podem ser tão complexos e fantásticos como o real, ou até mais complexos, mais bonitos, mais chocantes que o real.

Estas realidades virtuais já estão entre nós, embora nem sempre as sintamos e nem a percebamos.  Pode nos parecer completamente estranho e/ou distante a ideia de vermos pessoas com um óculos de realidade virtual. Certamente grande parte das pessoas pensaria: “é apenas um maluco” com um “trambolho” que parece um capacete. Mas poucos se perguntam por que cada vez mais “malucos” usam esses “trambolhos”.

A fuga da realidade e a divisão entre o físico e o racional já foram temas de inúmeros filósofos, mas o século XXI traz uma nova perspectiva sobre essa nova realidade e ainda não conhecemos todo o seu potencial. De início pode parecer que esses óculos de realidade virtual sirvam apenas para entretenimento, para fazerem com que seus usuários sintam-se dentro de um filme ou de um jogo. Mas o potencial para entretenimento é muito grande, já é algo conhecido e com certeza será ainda mais explorado.

Além disso, o potencial econômico também é óbvio e inegável. Novas tecnologias geram novos produtos e novos produtos, por sua vez, geram novas demandas e novos consumidores… Mas até onde poderá chegar essa  realidade virtual, como ela vai influenciar a sociedade, a educação, como viverá a nova geração mergulhada na realidade virtual em contraste com a velha geração relutante contra mudar de realidade?

A realidade virtual apresenta inúmeras possibilidades ainda desconhecidas, ou ainda não viáveis, mas os primeiros passos já estão sendo dados. Na medicina, um cirurgião nos Estados Unidos pode colocar um óculos de realidade virtual para operar uma pessoa no Brasil. Parece ótimo não? Mas e se além disso o óculos mostrar aonde está o problema do paciente e como resolvê-lo? Essa poderia ser uma maneira dessa nova tecnologia ganhar adeptos entre os mais conservadores. Ou: seu carro está com o barulho estranho, coloque o óculos, abra o capô, o óculos te mostrará aonde está a falha e como resolvê-la. Se você precisar de peças, ele te indica onde tem estoque e talvez seja possível ainda, que você possa pedir para um drone levar as ferramentas até você… Drone guiado por um piloto profissional de drones, que também está com um óculos de realidade virtual. Estas são hipóteses básicas, então, sugiro que você pare e pense em todas as outras possibilidades, e se isto lhe parece filme de ficção científica futurista, apena olhe ao seu redor. Você sabe como funcionam Uber, Netflix e Spotify? Sabe o que é armazenamento nuvem e transmissão por streaming? Pois é, a virtualidade está presente no seu cotidiano e talvez você nem tenha notado.

O embate entre real e virtual que vem desde a Grécia Antiga, ainda segue. A virtualidade seria parte do mundo sensível ou inteligível? Caso você não consiga ver a diferença entre todas as novidades e se sinta como um “dinossauro”, fique calmo, agora você pode colocar um óculos destes e dar um passeio no período jurássico para ir se familiarizando.

 

 Category: FILOSOFEI

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