SENSO CRÍTICO: EU INDICO…

By Acervo Filosófico

Por Paulo Pedroso

Não venho aqui indicar um livro, nem um filme, tão pouco uma música, mas um comportamento, uma atitude. Dentre tantos possíveis comportamentos desejáveis em alguém interessado por filosofia, um me parece básico: posicionamento crítico. É provável que você já tenha lido/ouvido sobre este assunto por diversas vezes, mas também é muito possível que lhe careça uma explicação mais sólida e uma contextualização sobre o “senso crítico”. Em filosofia são raros os exemplos concretos sobre o tema, afinal as abstrações e desconstruções são parte desta área. Mas então, sem exemplificações concretas, o que seria este pensamento crítico da filosofia?

Primeiramente, é preciso pensar de forma crítica sobre o que significa crítica (isso mesmo)! No senso comum (aquilo que a maior parte das pessoas pensa/crê/faz), “crítica” é sinônimo de falar mal, de algo ruim, algo negativo. Mas a realidade desse termo é outra: crítica consiste em uma análise, um exame, uma avaliação, podendo ser positiva ou negativa. Além disso, nem toda crítica negativa é um ataque (como muitas vezes pensa o senso comum) e nem toda crítica positiva é uma propaganda. E as críticas filosóficas evitam ser tendenciosas.

Assim como qualidade não significa, necessariamente uma coisa boa, crítica não significa, por certa, algo ruim. Pensamento crítico é uma maneira de refletir sobre um determinado assunto, não é entrar numa discussão para vencê-la, mas sim para aprender, acrescentar, desconstruir, absorver novas possibilidades, conhecer sob novas perspectivas.  As questões acerca do mundo são infinitas e a humanidade reflete constantemente, das coisas mais misteriosas e complexas até as mais comuns, das mais intrigantes às mais banais. Sobre este tópico (conhecimentos diversificados envolvendo viés filosófico), existem vários livros disponíveis, fica aqui a indicação de “Os 100 Argumentos Mais Importantes Da Filosofia (Ocidental)” [Barbone, Steven / Bruce, Michael – editora Cultrix].

Para tornar menos abstrata essa indicação do que é “ser crítico”, vamos exemplificar este assunto com o levantamento de questões bem diversificadas: para que serve o conhecimento? Existe vida após a morte? Bentinho traiu Capitu? Porque o céu é azul? A identidade de gênero é uma construção? A maconha deve ser descriminalizada no Brasil? Você já parou para refletir sobre algumas dessas indagações? Tais perguntas aleatórias têm muito pouco em comum, mas todas oferecem a possibilidade da aplicação do pensamento crítico. Você provavelmente já tem informações a respeito de todas estas perguntas e, provavelmente, também já deve ter um posicionamento a respeito… Mas, se surge um debate sobre algum destes tópicos, você sente-se disposto a mudar de ideia em relação a algum dos fatores mencionados? Ou apenas disposto a ouvir o “outro lado” apenas para refutá-lo? O ser crítico é reflexivo e não impositivo.

Ser crítico é levar em consideração a opinião do Doutor ou Mestre em filosofia e também o seu priminho de sete anos de idade.  É reconhecer que projetos ruins, talvez possam ter ao menos um ponto positivo, e abrir mão da certeza, da firmeza e da plenitude. O conhecimento e a filosofia não são estáticos, não são definitivos, não são conclusivos. O pensamento crítico, portanto é algo, infelizmente, cada vez mais raro na sociedade. Um exemplo prático disto são as Redes Sociais: número de compartilhamentos é imensamente maior do que o número de postagens originais, poucos formadores de opinião dominam a maior parte da rede e, dentre estes tais formadores de opinião, há todo tipo de pessoa, incluindo pessoas que disseminam informações falsas, tendenciosas, incompletas e que, por vezes, incentivam a ignorância, a intolerância e/ou a violência. Vendo esta situação exemplar, fica claro o quanto o pensamento crítico faz falta em nossa geração.

A filosofia disponibiliza inúmeras obras sobre conhecimento e reflexão, diversos são os autores, os pontos de vista, as possibilidades, mas de nada adianta acumular informação se não houver um pensamento crítico, uma análise, uma contextualização.  Por favor… Tente ser mais crítico.

 Category: INDICAÇÕES

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