VIVRE SA VIE – O Existencialismo presente na obra de Godard:

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi

Se estou feliz, sou responsável; se estou infeliz, sou responsável.”

Jean-Luc Godard é um dos maiores nomes da história do cinema. Seus filmes costumam ter total desapego com regras padrões e/ou mercadológicas, e o cineasta foi um marco Nouvelle Vague, fato que o consagrou como um dos principais diretores de cinema da França.

Dentre os aspectos fílmicos de “Vivre Sa Vie”, de 1962, (em português, “Viver a Vida”), destacam-se especialmente a fotografia e o roteiro. No primeiro quesito, percebemos uma câmera que busca retratar as intensidades emocionais dos personagens de maneira que os valorize ao máximo como expoente das cenas. E isso é feito cuidadosa e caprichosamente pela sensibilidade poética de Godard que faz com que as imagens falem por si mesmas. O roteiro do filme, por sua vez, é composto por diálogos profundos e reflexivos, que se casam com a fotografia, cujo brilhantismo transpõe em si a aura dos personagens.

Da esquerda para a direita: Simone de Beauvoir, Sartre e Gordard.

“Vivre Sa Vie”, além de ter se tornado um dos trabalhos mais glamourosos de Godard, possui como pano de fundo um notável ar do Existencialismo sartriano. Esta filosofia começa a se revelar desde o início do filme, quando percebemos o perfil da personagem principal, que está sempre consciente das consequências de seus atos. Esta protagonista é Nana, uma mulher que sonha em seguir a carreira de atriz e, para isso, abre mão de sua própria família. Torna-se prostituta, sente que esta é a sua chance e este é o caminho mais curto para que possa realizar seu grande sonho. Em determinado momento do filme, há uma sequencia de diálogos bastante interessante, na qual podemos perceber o Existencialismo. Vejamos:

PERSONAGEM 1: falando sobre sua situação de vida:

É triste, mas eu não sou responsável.

PERSONAGEM 2 (Nana):

Eu acho que sempre somos responsáveis… Somos livres. Estou triste, sou responsável, fumo, sou responsável, fecho os olhos, também sou responsável. É a vida… é a vida.

Um dos fundamentos do Existencialismo sartriano, é a responsabilidade que cada indivíduo possui por seus atos. Para Jean Paul Sartre, não há terceiros envolvidos em nossas escolhas, não há outrem em quem possamos depositar qualquer culpa pelo que nós mesmos fazemos. Eis este o peso da liberdade que paira sobre nós, e que pode se transformar em angústia. Portanto, as falas de Nana e a resposta que ela dá para a outra personagem, parecem traduzir alguns dos principais pontos do pensamento existencialista, pois a protagonista percebe , não somente em tal cena, mas durante todo o longa, que quem se define é ela própria, e que independentemente do rumo que sua vida toma, é ela quem está por trás disto, é Nana que fabrica a si mesma. Deixo o filme como dica para aqueles que se interessam pelos seguintes assuntos: Existencialismo, Nouvelle Vague, Cinema Francês, e claro, JEAN-LUC GODARD.

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