ARISTÓTELES: VIDA E OBRA DE UM DOS MAIORES FILÓSOFOS DA HISTÓRIA

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Aristóteles é um dos grandes nomes da história da filosofia. Ao lado de Sócrates e Platão, se imortalizou como uma das figuras mais ilustres e importantes que já existiram. Seu pensamento atravessou os tempos, chegando até nossos dias e mostrando todo o seu brilhantismo. Não é à toa que suas obras permanecem sendo frequentemente estudadas, debatidas e influentes.

INFÂNCIA E JUVENTUDE:

Aristóteles, assim como seus antecessores Sócrates e Platão, foi um dos principais pensadores da história da filosofia. Porém, diferentemente dos dois, não era ateniense. Ele nasceu em aproximadamente 384 a.C., na Estagira, localizada na Trácia e que atualmente é uma cidade localizada na região da Calcídica.

Seu pai se chamava Nicômaco e era um médico talentoso e conhecido, que trabalhava para a família real da Macedônia. O famoso historiador Diógenes Laércio certa vez descreveu Aristóteles, dizendo que “ele tinha uma fala ciciante… Suas pernas eram muito finas, dizem, e os olhos miúdos; mas se vestia com espalhafato e se penteava cuidadosamente”.

Aristóteles teve em vida uma condição financeira privilegiada. No período de sua infância e juventude, o filósofo de Estagira recebeu uma boa educação e quando tinha entre 16 e 17 anos foi enviado para a cidade de Atenas para estudar na Academia de Platão, que nesse período já tinha cerca de 70 anos. Lá, permaneceu e estudou durante quase vinte anos, saindo da cidade apenas após a morte de seu mestre, pois com o falecimento de Platão, quem assinou a Academia foi seu sobrinho Espeusipo que deu grande ênfase ao ensino da matemática, sendo que este fato desagradou o filósofo de Estagira.

Aristóteles, apesar de ter sido discípulo de Platão, elaborou um pensamento filosófico que em vários aspectos  difere daquele que foi sustentado por seu mestre. Ele, aliás, foi bastante crítico em relação a certos aspectos da filosofia platônica. Essas divergências se expressam, por exemplo, na metafísica aristotélica, que se distanciou da que foi formulada pelo mestre da Academia, baseada num mundo sensível e num mundo suprassensível. Outra particularidade está no especial interesse e atenção do estagirata para com as ciências empíricas, algo que não vemos nas obras de Platão e que, por outro lado, é veemente na totalidade do legado de Aristóteles, que realizou pesquisas importantes sobre a natureza.

O filósofo teria dissecado alguns animais para estudá-los com mais atenção. Comparou e observou atentamente as formas de vida presentes na natureza, como nenhum antecessor fez.

VIAGENS DE ARISTÓTELES:

O filósofo se dirigiu então para Atarneus, uma colônia grega da Ásia Menor. Essa época foi particularmente importante na vida de Aristóteles, pois lá ele conheceu a sobrinha do rei Herméias de Atarneus, chamada Pítias, mulher com quem se casou e ao lado de quem, aparentemente, nutriu um relacionamento próspero. O filósofo, inclusive, certa vez escreveu que após morrer, gostaria de ser enterrado junto com a amada.

Em 348 a.C. viveu um período de tempo em Assos e, em seguida, se dirigiu para Mitilene, capital da Ilha de Lesbos. A passagem de Aristóteles por essas localidades foi especialmente marcada pelos intensos estudos de biologia e pela cuidadosa observação da natureza. Em Lesbos, estudou com ênfase a vida marinha e em Assos o estagirata chegou a abrir uma academia, na qual ministrou pesquisas na área da biologia. Aliás, um dos grandes marcos da obra aristotélica é justamente seu pioneirismo no estudo detalhado e na classificação sistemática de certas espécies. O filósofo teria dissecado alguns animais para estudá-los com mais atenção. Comparou e observou atentamente as formas de vida presentes na natureza, como nenhum antecessor fez. Suas colaborações nesse sentido foram tão importantes que, hoje em dia, é difícil (e até mesmo injusto) falarmos da história da ciência sem mencionar o célebre nome de Aristóteles.

ARISTÓTELES SE TORNA TUTOR DE ALEXANDRE, O GRANDE:

Em 343 a.C., Aristóteles foi chamado para atuar na corte do rei Filipe II da Macedônia, e lá ocupou o cargo de tutor do jovem Alexandre, de 13 anos, filho do rei, e que um dia se tornaria conhecido como “Alexandre, O  Grande”, assim como seu tutor Aristóteles se tornaria uma das mais célebres figuras de nossa história.

Plutarco nos conta que, ao menos durante um determinado período, o jovem Alexandre se afeiçoou ao filósofo tutor e teve muito respeito por ele, vendo-o como se fosse um verdadeiro pai.

Aristóteles ensinou os diversos assuntos para o jovem herdeiro do trono macedônio e as instruções do filósofo certamente foram muito importantes na trajetória de vida de Alexandre. O filósofo permaneceu nesse cargo durante um período de três anos e, posteriormente, voltou para sua cidade natal, ou seja, Estagira, onde viveu de 340 até 335 a.C. e desse período até 323 a.C., Aristóteles viveu em Atenas.

O LICEU:

Em 335 a.C., Aristóteles fundou sua própria escola filosófica que foi chamada de Liceu, nome este que tem sua origem na palavra “Lykeios”, pois a escola estava localizada numa área dedicada a Apolo “Lykeios” ou “Lício”. Aristóteles teve muitos alunos e com eles discutia sobre diferentes áreas do conhecimento. Algumas notáveis personalidades estudaram com ele, tal como é o caso dos filósofos  Aristóxeno de Tarento, Critolau, Estratão de Lâmpsaco e, claro, muitos outros.

Uma questão muito importante neste ponto é que o Liceu se tornou conhecido como “Escola Peripatética”, assim como seus frequentadores passaram a ser chamados de “peripatéticos”. Essa palavra, ou seja, “peripatético” vem do grego e pode ser traduzida como “passeio” ou então como “ambulante”. Sua origem está no fato de que as aulas ministradas por Aristóteles aconteciam ao longo de caminhadas pelos jardins, durante as quais ele e seus companheiros faziam suas reflexões e debates filosóficos.

Em 323 a.C., Alexandre, o Grande, faleceu. Esse acontecimento despertou nos atenienses uma reação antimacedônica e assim surgiram acusações contra Aristóteles que, como vimos, foi tutor de Alexandre. O estagirata, então, por questões de segurança, optou por abandonar a cidade e migrou para Cálcis, que se situa numa ilha grega chamada Eubeia. O próprio Aristóteles disse que saiu de Atenas para “não deixar que errassem duas vezes contra a filosofia”, se referindo claramente ao desfecho de Sócrates, outro notável filósofo grego, cuja prática filosófica gerou a reprovação de alguns de seus contemporâneos que o acusaram, fazendo com que fosse condenado e morto.

A descoberta arqueológica do Liceu é recente, datando de 1996. O local foi acidentalmente encontrado no centro de Atenas, logo atrás do Parlamento Grego, durante escavações que estavam sendo feitas visando a construção de um museu de arte moderna. A partir de 2009, o Liceu foi aberto para visitação pública. Atualmente, o local abre todos os dias e cobra uma pequena taxa por parte do público. Deve ser incrível conhece o lugar!

O LEGADO DE ARISTÓTELES:

Ao estudarmos esse grande filósofo grego, nos deparamos com uma divisão de seus escritos, feita na antiguidade por alguns estudiosos, e que considera que Aristóteles produziu textos especialmente para serem lidos pelo público, que seriam os chamados “textos exotéricos” e também textos técnicos, conhecidos como “esotéricos” e que foram elaborados pelo filósofo para serem usados no Liceu. Infelizmente, praticamente todos os conteúdos da primeira categoria se perderam ao longo do tempo, embora uma quantidade significativa de suas vastas produções tenha chegado até nós.

Uma  característica peculiar da filosofia da Idade Média é a chamada “Filosofia Islâmica” ou “Filosofia Árabe”, cujos principais representantes foram importantes, entre outros aspectos, por terem retomado o aristotelismo.

Um dos principais nomes da Filosofia Árabe e que também marcou todo o contexto da filosofia medieval foi Averróis, notável filósofo e médico muçulmano. Ele foi um grande estudioso da filosofia  de Aristóteles e seus comentários a respeito das obras do pensador grego ajudaram a despertar o interesse pelo pensamento aristotélico na Idade Média.  Podemos citar ainda Al-Ghazali e Avicena, outras personalidades marcantes da filósofa árabe, que também se inspiraram nos estudos de Aristóteles.

Além de toda influência e visibilidade que a filosofia aristotélica teve ao longo dessa época, após esse período histórico suas obras continuaram se fazendo presentes e inspirando grandes personalidades, dentre as quais podemos mencionar dois homens ilustres: o polonês Nicolau Copérnico e o italiano Galileu Galilei. Este último, aliás, discordou e contestou a física aristotélica. Além dessas duas personalidades consagradas, Darwin nos deixou as seguintes palavras: “Lineu e Cuvier são meus deuses, embora em aspectos muito diferentes, mas eles foram meros alunos, comparados com o velho Aristóteles.”

Não é à toa que este filósofo grego é tão prestigiado, pois como vimos, Aristóteles, em seus escritos, aborda várias áreas de estudo, como a metafísica, a ética, a política, a lógica, a zoologia, a matemática, a arte, entre outras abordagens. Aliás, de maneira geral, através de seus escritos e da vasta abrangência de temas, o filósofo acabou por contribuir com outras áreas do conhecimento, não apenas com a filosofia, como vimos.

Ele foi um dos pensadores mais célebres do mundo e sua herança filosófica ainda cativa e desperta a atenção de muitas pessoas. Tanto na escola quanto em meios universitários e, claro, também fora desses ambientes convencionais de estudo, Aristóteles permanece sendo uma personalidade imensamente respeitada e cuja obra é de grande importância para a história da filosofia.

O TÚMULO DE ARISTÓTELES FOI ENCONTRADO?

No ano de 2016, durante o Congresso Mundial dos 2.400 Anos de Aristóteles, um grupo de arqueólogos gregos disse que acreditava ter encontrado o túmulo de Aristóteles em Estagira, local em que o pensador nasceu. Embora não houvesse nenhuma prova concreta sobre isso, os indícios eram muito fortes e a equipe demonstrava estar confiante na descoberta. As escavações estavam sendo feitas há vinte anos, sob liderança de Konstandinos Simanidis. O local em que os arqueólogos disseram ter encontrado o túmulo possui descrições muito semelhantes a informações presentes em alguns documentos oficiais que mencionam o falecimento e enterro das cinzas de Aristóteles. Foram descobertos uma tumba e um retângulo no piso, o que indica a existência de um altar. O conjunto de evidências encontradas nas escavações deram enormes indícios de que realmente era lá que se encontrava o túmulo do pensador.

Referências Bibliográficas:

https://istoe.com.br/em-busca-de-aristoteles/

http://www.visitgreece.gr/en/greeceonthespotlight/aristotles_lyceum_opens_to_the_public

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